Prestes a completar 105 anos, Colégio Champagnat agoniza à espera de reforma urgente
O prédio onde funcionou o antigo Colégio Champagnat está prestes a completar 105 anos de sua construção e, ao que tudo indica, fará aniversário em plena decadência. Ícone francano, inaugurado em 1917 pela ordem religiosa Irmãos Maristas, o Colégio Champagnat está em posse da Prefeitura de Franca e abriga hoje diversas repartições públicas, como uma biblioteca. Sem a devida prioridade do poder público, falta de cuidados e reformas há um bom tempo, o prédio apresenta diversos problemas estruturais, interdição por infiltrações em algumas salas e risco de desabamento em parte do prédio.
A reportagem da Folha de Franca surgiu a partir de uma denúncia de um leitor referente a um grupo de trabalho criado em abril do ano passado para realizar melhorias na edificação, coisa que nunca foi feita. Em busca de respostas, falamos com funcionários que atuam no prédio. Fomos uma informados da existência de um dossiê elaborado em 2019 que atesta a urgente necessidade de restauração da edificação e até setores avaliados com risco de desabamento e, por isso, se encontram interditados.
A reportagem da FF esteve no Colégio Champagnat e constatou salas fechadas, o hall de entrada principal fechado, com as paredes laterais com grandes marcas de infiltração telhado, pilares com massa de reboco com estufamento e descascando além da pintura, teto dos corredores também com infiltração, piso antiderrapante nas escadas deteriorados e muitos se soltando. “Uma tristeza. Um prédio tão bonito e com problemas assim. No Natal ele fica tão bonito de se ver do lado de fora”, disse a estudante Rebeca Alves, usuária da biblioteca do local.
Estudos
Para saber melhor sobre o estado do Champagnat, falamos com Marcelo Pini, arquiteto e coordenador das tratativas multidisciplinares que resultaram no dossiê. Para chegar até o resultado do colóquio, participaram diversos profissionais capacitados como engenheiros, arquitetos, historiados e afins. Marcelo conta que uma ala do prédio já está interditada desde 2019. Trata-se do setor onde ficava o museu da ciência. Marcelo conta que todo o acervo histórico do local foi retirado e a área foi interditada a partir de uma avaliação que aponta um real risco de queda. Acentuou que em tempos de grande volume de chuva, por motivos óbvios, esse risco aumenta.
Referente ao grupo de trabalho no qual Marcelo também participou, ele contou que até o presente momento nenhuma melhoria foi realizada. E que, inclusive, as reuniões deixaram de acontecer, estando o grupo paralisado. O grupo de trabalho é liderado pelo vice-prefeito, Everton de Paula, e que tem seu decreto de oficialização constado no Diário Oficial da Prefeitura.
Prestes a completar 1 ano, Marcelo discorre o que, para ele, pode ter levado a inoperância do grupo até o momento. “O Everton estava muito empenhado em realizar melhorias para o prédio do Champagnat. Mas por forças políticas internas, infelizmente nada ainda foi executado. Fomos informados que não era possível realizar a revitalização de uma única vez, então faríamos as melhorias devagar, por setores. Mas também ainda não aconteceu”, disse.
Nossa reportagem procurou o vice-prefeito através de sua assessoria para saber o que motivou o insucesso do grupo. Também procuramos um posicionamento oficial da prefeitura referente ao caso, mas até o momento da publicação dessa matéria, não obtivemos respostas em nenhuma das situações. Em busca do acesso ao dossiê de 2019, que se encontra com a FEAC, não obtivemos retorno.














