Gestante cobra direito à presença de doula durante o parto no Hospital São Joaquim
Grávida de 39 semanas e prestes a dar à luz, a representante comercial Maria Izabel Monteiro, de 26 anos, cobra do Hospital e Maternidade São Joaquim o direito de contar com a presença da doula durante o processo de parto. Apesar de existir uma lei municipal que permite a participação desta profissional em hospitais e maternidades da cidade, sem que conte como um acompanhante, Maria tem encontrado dificuldade em ter seu pedido atendido. “Sabemos da pandemia e tudo, mas desde o dia 17 de agosto não temos mais restrições de público e nem de horário em Franca. Quero apenas exercer o meu direito de contar com a presença da minha doula, que me acompanha desde os primeiros meses da gestação, no momento do parto. E também manter o direito do meu marido de ver o filho nascer”, explica.
Uma lei municipal, aprovada em 2017 pela Câmara de Vereadores de Franca, determina que as doulas não podem ser impedidas de acompanhar as gestantes tanto em hospitais particulares como públicos. De acordo com a lei, “a presença de Doulas não se confunde com a presença de acompanhante instituída”. No dia 18 de agosto, um dia após o fim das restrições de horário e público em estabelecimentos em geral na cidade, Maria Izabel entrou em contato com a ouvidoria do Hospital solicitando que a doula participe do parto. Em um primeiro momento, de acordo com a gestante, o e-mail foi retornado apenas informando que o pedido seria passado para a direção. Nessa sexta-feira, 27, após uma nova tentativa de contato, o retorno foi negativo.
No e-mail encaminhado para Maria e disponibilizado por ela para a nossa reportagem e assinado pelo diretor hospitalar Paulo Sérgio Faleiros, o hospital afirma que “em razão do estado de calamidade pública – pandemia pela contaminação do vírus Covid-19, foi necessária a adoção de inúmeras medidas restritivas, dentre elas, a redução de fluxo/trânsito de pessoas nas dependências de nossa instituição”.
O hospital reforça ainda que está autorizada a entrada de uma pessoa, de escolha da parturiente, podendo ser doula, marido ou qualquer outra pessoa. “É meu primeiro filho e também do meu marido. Não quero tirar o direito de ele acompanhar o nascimento, mas também quero a minha doula ao meu lado. Uma pessoa apenas não atrapalharia em nada o fluxo do hospital. Eu estou vacinada, minha doula está vacinada. É realmente um absurdo alegarem isso para negar um direito que é meu”, desabafou a gestante.
Maria Izabel, com o apoio de outras gestantes, iniciou um movimento nas redes sociais na busca de que o hospital permita a entrada da doula no parto. “Eu tive uma gravidez tranquila, quero um parto natural, é o meu desejo e agora, no fim, estou passando por todo esse desgaste e estresse que poderia ser facilmente solucionado com a permissão”, disse.
A gestante, que mantém um grupo no WhatsApp com outras mulheres que desejam o acompanhamento na hora do parto, afirmou que deve procurar a Justiça para garantir a presença da doula. “Infelizmente sem nenhum retorno deles já vamos entrar com meios jurídicos para ver o que conseguimos. Sei que no meu caso não vai dar tempo, mas vou lutar por todos as gestantes futuras”, finalizou.
A reportagem da Folha de Franca entrou em contato com o Hospital e Maternidade São Joaquim, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.







