Furtos aumentam e infernizam francanos; roubos de fiação é ‘nova onda’
Um enorme número de furtos registrados nos últimos meses tem sido motivo de discussão em rodas de amigos, aplicativos de mensagens e até mesmo nas sessões da Câmara de Vereadores de Franca. O fato é que os francanos estão diante de uma avalanche de furtos de residências e uma nova onda de furtos de fios elétricos tem infernizado moradores e proprietários de imóveis de diversos bairros da cidade. Os alvos são variados e os bandidos não poupam nem mesmo empresas, porém imóveis vazios que estão à venda ou disponíveis para aluguel têm se tornado alvos fáceis dos gatunos. Por falta de uma resposta eficaz de autoridades muitos casos nem chegam a ser notificados à polícia. Diante do recrudescimento dos casos, a população tem se sentido impotente, desprotegida e acuada.
Para se ter uma dimensão do crescimento de furtos na cidade, os registros comparativos entre os dois primeiros meses do ano mostram um aumento de 24% em 2022 em relação ao ano anterior. É grande, porém não parece representar a realidade. E a sensação de disparidade dos números contabilizados com o que de fato deve estar acontecendo pode ser explicada com a subnotificação de furtos, o que acaba por mascarar os dados. “Tive um imóvel que está à venda roubado. Levaram os fios grossos do poste padrão de entrada de energia. Roubaram até os números da casa. Nem cheguei a registrar boletim de ocorrência. Não vai virar nada”, diz Roberta Brandão, dona de um imóvel invadido no Jardim Dermínio.
2021
| JAN | FEV | TOTAL | |
| FURTO – OUTROS | 289 | 277 | 566 |
2022
| JAN | FEV | TOTAL | |
| FURTO – OUTROS | 399 | 303 | 702 |
A falta de resposta para os furtos é corroborada por Márcia Caluf, que é responsável pelo departamento de aluguel de imóveis da imobiliária Parra Imóveis. De acordo com ela, os casos de furto a imóveis residenciais e comerciais são recorrentes, todos são notificados, ou seja, a imobiliária faz um Boletim de Ocorrência na Polícia para cientificar os proprietários, mas nenhum caso é resolvido. “A situação está insustentável. O prejuízo fica para os proprietários. São gastos inesperados e causam transtornos enormes para nossos clientes”, diz Márcia. Os itens furtados nos imóveis são fiação, passando por torneiras, peças metálicas diversas como maçanetas de portas e janelas e até mesmo louças. “Tivemos um imóvel que levaram até o vaso sanitário. Um absurdo”, relata Márcia.
Parte do aumento do número de furtos, principalmente de fios dos imóveis pode ser explicada pelo aumento do preço do cobre e do alumínio no mercado. O quilo do cobre, por exemplo, é comprado por cerca de R$ 37, enquanto o do alumínio R$ 12,50. A sucata de ferro é comprada no ferro-velho por R$ 0,80.
Vazios ou não, eles roubam
Imóveis vazios são mais vulneráveis, porém os bandidos não estão atacando apenas estes. Nesta semana, uma empresa de calçados em funcionamento no jardim Paulistano foi invadida duas vezes. Na primeira vez, segunda-feira, 28 de março, os bandidos levaram a fiação. Nesta sexta-feira, 1º de abril, os ladrões levaram sapatos e cestas básicas que seriam para doação, além do rastro de destruição no imóvel.
Próprios públicos

Um outro empresário do Jardim Dermínio teve a fiação de sua empresa furtada no dia 21 de março e não pode trabalhar até que providenciasse a reposição de materiais.

Nem mesmo prédios públicos escapam da ação dos ladrões. Em fevereiro, a Guarda Municipal pegou em flagrante dois bandidos depredaram o imóvel da Estação Mogiana, no bairro da Estação, ao arrombar o local para furtar fios.
Na tarde de quinta-feira, um imóvel na Vila Formosa foi alvo de um ladrão de fios em plena luz do dia. Câmeras de segurança registraram a ação do bandido. Nem a chuva impede a ação. O ladrão chega de bicicleta, vai até o poste, observa o local, tira algo de dentro da mochila, escala no poste e corta a fiação elétrica. Em seguida desce e vai até o outro lado do fio para terminar o corte, enrola o produto de furto e coloca o coloca numa mochila, junto com o alicate usado no “serviço”.
Reclamações até na Câmara Municipal
Na semana passada durante a sessão ordinária da Câmara, vereadores trouxeram o assunto dos furtos ao debate. Usando a tribuna, o vereador Ilton Ferreira (PL) registrou que tem recebido muitas reclamações de moradores de toda a cidade e que gostaria de uma resposta das autoridades para fiscalizar locais de compra e venda de sucatas. “Por que que se rouba? Porque tem quem compra o que foi roubado (…) “Podem ir nesses locais que as torneiras, ferros de construções e fios estão lá. Ninguém vai fazer nada?”, questionou.








