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“Foi lindo! Foi rico! Foi potente!”, diz organizadora do Fórum de Cidades Criativas em Franca

Por Joelma Ospedal

Franca sediou, entre os dias 1 e 3 de dezembro, a quinta edição do FICC (Fórum Internacional de Cidades Criativas).

O evento foi organizado pelo Nepec (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Economia Criativa), e, sob a batuta de Tânia Mara Pinto de Souza, colocou em pauta discussões a respeito de novos caminhos para desenvolver a economia local e criar oportunidades para a geração de emprego e renda.

Nas palavras da própria Tânia Mara, que é mestre em desenvolvimento regional  “o VFICC  foi um laboratório. Ele viabiliza a passagem das versões anteriores de cidades pequenas para a realização, também, em uma capital.  Sob outro aspecto, abre a possibilidade de novos eventos e ações com a temática na cidade e região”, disse ela, lembrando que o FICC foi realizado pela primeira vez no Sudeste e, exatamente no ano que foi declarado o Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável, na 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

O Fórum foi idealizado pelo colunista da Rádio BandNews Goiânia, Décio Coutinho. Décio tem especialização em “Sociedades Pós-industriais e Organizações Criativas”, na Itália, e é administrador com mestrado em Antropologia.

A Folha de Franca entrevistou Tânia Mara e Décio Coutinho para saber como avaliaram o VFICC e o que significou a realização do evento em Franca.

Ambos consideraram que o VFICC superou expectativas e contribuiu de forma importante para os primeiros passos que Franca precisa dar para se tornar uma cidade de economia criativa. “O evento foi lindo! Foi rico! Foi potente! Contou com presenças ilustres e lindas homenagens, como a que fizemos ao nosso poeta Carlos de Assunção. As apresentações culturais selecionadas pela Ana de Araújo foram literalmente um show! A participação em vídeo de Luiza Trajano-Magalu, e Isabel de Paula, da Unesco, conferiram ainda mais peso ao evento. Tivemos uma Feira de Negócios Criativos que deu uma mostra de empreendedores com muito potencial; roda de conversa com empresários, realizadores, e com a secretária de Desenvolvimento, Lucimara do Prado, e Jorge Pinto, diretor de Planejamento e Desenvolvimento do Departamento de Cultura e Turismo do Governo de Abu Dhabi. O time de palestrantes, cuidadosamente selecionado pela curadoria do Décio Coutinho, foi muito elogiado e enriqueceu o VFICC”, disse Tânia Mara.

A organizadora fez questão de enaltecer, também, o trabalho de todos os envolvidos no projeto, como a Rayla da Obioká, que cuidou da Feira de Negócios Criativos; o Delzio Marques, fotógrafo oficial do evento; a Carla Carvalho, mestre de cerimônia; a Priscilla Guaíba, que comandou a Oficina de Design de Territórios Criativos, “e todo o time do Nepec, que atuou com grande empenho e talento”.

Ao final do VFICC foi entregue um documento produzido na “Oficina de Design de Território Criativo” pautando 40 ações para a cidade, que é um documento de planejamento estratégico.

Veja, abaixo, os principais trechos da entrevista com Décio e Tânia Mara.   

Quais pontos merecem destaque nessa quinta edição do FICC?

Décio – Destaco a atuação da coordenadora do Nepec, Tania Mara, na liderança da preparação e realização do Fórum e à toda a rede de parceiros construída no processo que antecedeu ao evento em especial ao grupo do Nepec. Cabe também ressaltar a qualidade dos painelistas e a coerência, pertinência, riqueza e complementariedade entre as falas destes. Outros pontos que merecem destaque são as apresentações culturais e a Feira Criativa, muito ricas e diversas, encantando a todos. Os encontros formais e informais que aconteceram entre os painelistas e os participantes de forma paralela ao Fórum foram muito produtivos, gerando importantes conexões para futuros negócios nacionais e internacionais. Legados e resultados já foram anunciados durante a realização do evento, como a conquista da Ruraltur 2023 em Franca, encontro nacional de turismo rural, além de outros pontos. Sem dúvida, a receptividade e hospitalidade da cidade e dos organizadores do Fórum foram sensacionais, elogiadas por todos.

Fale um pouco sobre as palestras, os palestrantes, os temas abordados e de que maneira essas ideias lançadas podem ajudar a cidade

Décio – Os painelistas e palestrantes apresentaram soluções concretas em localidades onde atuam com comprovada competência e de referência, seja no Brasil, seja no exterior, que puderam gerar reflexões, abrir novos horizontes e perspectivas para a cidade de Franca ser mais criativa, regenerativa e próspera para todos. Além disso apresentaram caminhos inéditos a serem percorridos, pelo fortalecimento do ecossistema criativo de Franca e pela valorização e aplicação da criatividade e da economia criativa na cidade. A estada na cidade chegando antes do evento e ficando até após a sua finalização, com visitas inseridas na programação em muitos lugares e com importantes pessoas de Franca ampliou essas contribuições em suas participações e deixou um belo e precioso legado de conteúdo. Praticamente todos os convidados me informaram que ajustaram e requalificaram as suas falas previamente preparadas, contribuindo ainda mais com a proposta do Fórum, adequando às realidades percebidas.

Tânia Mara – Recebemos palestrantes internacionais como Jorge Pinto, Victória Contreras e Guido Marco, nacionais: César Piva, Regina Amorim Alexandre Almeida,   Leonardo Moraes e o próprio Décio Coutinho e, os participantes da nossa cidade que foram representantes sensacionais: Fernanda Martinez, Jamil Costa, Giuliano Gera.

Ao trazerem suas experiências e perspectivas, nos abriram um repertório de conteúdo e possibilidades.  Podemos ter uma referência de ações sendo postas em práticas. Os dados apresentados por Cesar Piva, por exemplo, nos deram a dimensão do que a Economia Criativa promove sob o aspecto econômico de geração de trabalho e renda, como a construção civil, por exemplo, que geralmente não está no radar quando o assunto é este e que é também impactada quando a cidade investe em economia criativa.

Tarciso Bôtto, presidente da ACIF, em evento de lançamento do Fórum Internacional Cidades Criativas (Reprodução/ACIF)

Qual foi, na sua opinião, a maior conquista do FICC?

Décio – Difícil apontar uma única maior conquista, pois são resultados de difícil mensuração visto que envolvem em sua ampla maioria aspectos imateriais e intangíveis. Poderia citar alguns como o fortalecimento da articulação local e da rede de parceiros dedicados à economia criativa em Franca em vistas do estabelecimento de um robusto ecossistema criativo local. Outra seria o aumento da autoestima local pelo reconhecimento e valorização das ricas diversidades culturais e naturais, desconhecidas antes do Fórum por muitos. Foram muitas as conquistas e para muitos.

Tânia Mara – A formação da Rede é um ponto alto, estamos com uma estrutura incrível, e é o que precisamos para materializar as ações pensadas na oficina. Nessa Rede temos os patrocinadores, realizadores, apoiadores, membros do Nepec e da sociedade civil.

Foi apresentado à cidade o tema, agora é explorar estas possibilidades de discussão, reflexão e ação.

E não posso deixar de destacar que saímos do Fórum com um projeto idealizado por José Lourenço, membro da AFL e do NEPEC, que é o Passeio Literário, produto de economia criativa.

Você gostou das 40 ações propostas no relatório final do FICC? As mais votadas foram as que você esperava ou o resultado te surpreendeu?

Décio – O método por mim criado e registrado da “Oficina de Design de Território Criativo” foi plenamente bem-sucedido em sua aplicação durante o VFICC. Gostei muito dos resultados e da forma participativa, aberta, inclusiva e livre como foram construídos dando voz a quem raramente tem lugares de fala e uma escuta ativa e sensível a estas participações. Isso gerou um documento extraordinariamente rico, inédito, potente e revelador para a cidade e região.

Tânia Mara – Gostei. Não tinha ideia do que surgiria, tinha indícios por conta da metodologia, mas o que veio foi muito bom. O importante é que é um documento construído por pessoas que pensaram Franca e as suas possibilidades. Ele abre possibilidades para a participação efetiva das pessoas na construção de um futuro.

A palestrante Victória Contrera Peñas (Joelma Ospedal)

Quais são os primeiros passos para que essas ações propostas realmente saiam do campo das ideias e passem a ser executadas?

Décio – Disseminar amplamente os resultados, com todos os parceiros e junto a todos os participantes, localidades (bairros, distritos, cidades vizinhas etc.), lideranças e instâncias de poder e de governança da cidade engajando ainda mais estes para as realizações. Envolver as escolas e instituições de ensino nessa disseminação e na realização, isso dará velocidade e acelerará o processo. Estabelecer parcerias na execução das ações (uma a uma ou em blocos) através da formalização de pactos de cooperação (para isso criei uma metodologia chamada Giros Criativos e esse momento é o 3º Giro, o Fórum corresponde ao 2º Giro Criativo).

Tânia Mara – Teremos uma reunião do Nepec e vamos planejar os próximos passos.  A partir do documento criaremos um plano de ação, sendo esta o 3º Giro de Folia.

De início, o documento elaborado já foi entregue para cada um dos realizadores, ficará disponível também para todos os patrocinadores, apoiadores, rede e quem mais se interessar.

A entrega também será feita oficialmente ao poder público, pelos realizadores, em data a ser combinada.

O que as medidas propostas – quando colocadas em prática – vão trazer de benefícios para a cidade?

Décio – O mais necessário: uma mudança no olhar sobre a cidade e o empoderamento e protagonismo local em suas possibilidades de futuro.

Tânia Mara – Qualquer uma das ações é importante e trazem benefícios para a cidade, o próprio Passeio Literário, na geração de conhecimento, entretenimento, divulgação da literatura, turismo, gastronomia e toda cadeia que isso movimenta economicamente.

Temos questões de curto, médio e longo prazo. Com a retomada dos trabalhos em janeiro/2022, poderemos traçar um plano de ação.

O poeta Carlos Assumpção, que declamou um poema e foi homenagemado no V Fórum Internacional das Cidades Criativas (Wilker Maia ACIF)

Como você avalia a participação do francano no FICC? A presença do público ficou dentro das expectativas?

Tânia Maria – Teve um público importante, claro que poderia ter contado com mais pessoas, para disseminação do conceito e construção do documento. Creio que a partir de agora, com as pessoas tendo contato com esse universo, fiquem mais empenhadas em participar e se inteirarem sobre economia e cidades criativas.

O francano se mostrou preparado para a proposta de uma cidade criativa?

Décio – Não podemos generalizar, mas muitos se mostraram abertos e preparados.

Tânia Mara – É um assunto relativamente novo para nós, no mundo já se trata a questão desde 1984 e no Brasil, desde 2005.  Por isso achamos importante trazer o tema para discussão e para pensarmos a cidade a partir dessa perspectiva. Os que participaram demonstraram grande interesse, creio que com as ações vamos aumentar esse público.

O que você leva dessa edição do FICC?

Décio – Muito aprendizado e amigos.

Tânia Maria – Para nós do Nepec, que estivemos à frente da organização, consideramos um evento que inaugura uma nova etapa. Desde que entendemos – Ana de Araújo e eu – que o fórum é uma ferramenta e que faz parte de uma metodologia, os Giros Criativos (Giros de Folia – de Décio Coutinho), temos trabalhado incansavelmente para apresentar para a cidade esta proposta.

O primeiro giro aconteceu em maio, dias 13 e 14, quando Tarciso Bôtto, presidente da Acif, entendeu a importância do evento para a cidade e tomou a frente, convocando os presentes para a empreitada.

Entregamos um Fórum Internacional de Cidades Criativas em 7 meses, desde a palestra do “primeiro giro” e a reunião de lideranças em maio. E de lá para cá, formamos uma Rede potente, fizemos 4 eventos preparatórios e   produzimos um rico registro de ações, todos eles disponíveis no canal do Youtube.  Realizamos todas as sextas-feiras reuniões de trabalho, fizemos importantes parcerias com empresas, instituições e pessoas, que entenderam o propósito do Fórum e que estarão na condução das ações do planejamento estratégico. Foi um trabalho intenso, que resultou na entrega desse rico FICC.

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