Local

Final de semana terá de volta as apresentações das Cavalhadas da Franca no ‘Fernando Costa’

A apresentação da tradicional “Cavalhadas da Franca” volta ao Parque “Fernando Costa” no próximo final de semana após um hiato de dois anos por conta da pandemia do coronavírus. O evento que já faz parte do calendário anual francano deverá atrair centenas de pessoas para assistir às duas apresentações (sábado e domingo) da encenação da batalha entre Mouros e Cristãos. O evento é realizado pelo Clube das Cavalhadas da Franca com apoio da Feac (Fundação Esporte, Arte e Cultura) e é totalmente gratuito. As apresentações acontecem no sábado, às 20 horas, e no domingo, às 14 horas.

Historicamente apresentado anualmente, as “Cavalhadas” tiveram que ser interrompidas por conta das restrições impostas pela covid-19. As apresentações começam com a “Cerimônia dos Encamisados” no sábado, às 20 horas, em que os cavaleiros com suas capas brancas encenam provocações entre o rei mouro, Sultão de Constantinopla, e o cristão Carlos Magno. A ambientação criada com luzes de tochas e os tiros de festim são o ponto alto da noite.

Para o domingo, às 14 horas, acontece a batalha entre Mouros e Cristãos protagonizadas na Europa durante o século VII d.C, com 26 cavaleiros representando grandes figuras históricas. De um lado, 13 cavaleiros cristãos, vestidos de azul e do outro, os mouros, 13 cavaleiros de vermelho. Em campo, os dois grupos rivais encenam sobre cavalos as lutas travadas entre o Império de Carlos Magno e do Sultão de Constantinopla. Vale a pena assistir.

De onde vem?

Uma tradição que une história, folclore, fé, esporte e muita paixão. Uma apresentação que retrata as batalhas medievais da Europa. Um teatro sobre cavalos, com quase 200 anos de história, que narra as lutas entre mouros e cristãos. Todo esse conjunto faz das Cavalhadas da Franca uma tradição que encanta e emociona a cada edição.

Para entender a chegada dessas apresentações ao país, é preciso voltar no período do Brasil Colônia. As Cavalhadas, instituídas pela Rainha Santa Isabel, foram trazidas pelos portugueses e recontam a história das batalhas travadas entre cristãos e mouros, povos de religião islâmica que tentavam invadir a Europa Central. As lutas ocorreram no Sul da França e Norte da Espanha, especialmente nos séculos VIII e IX.

Pelos registros históricos, as Cavalhadas foram encenadas em Franca pela primeira vez em 1831. São quase dois séculos de história e uma tradição passada de pais para filhos, de avós para netos, de mães para filhas.

No Brasil, as Cavalhadas sofreram algumas reinterpretações. A versão francana é inspirada no poema “A Canção de Rolando”, que conta a história dos Doze Pares da França, uma referência aos cavaleiros da elite do exército de Carlos Magno (rei cristão).

Na batalha, os cristãos vencem os mouros. A luta tem fim quando a princesa Floripes, filha única do Sultão de Constantinopla (rei mouro), após ser roubada por um soldado cristão em seu castelo, se converte ao cristianismo e convence seu pai a fazer o mesmo, salvando, assim, seu povo da guerra.

História em Franca

As Cavalhadas da Franca são a terceira mais antiga do país. Na cidade, o folguedo teve início no ano de 1831, na então Vila Franca do Imperador, e foi organizado pelo morador Hilário Dias Campos. 

Desde então, famílias tradicionais, com a dedicação de várias gerações, mantêm vivo esse patrimônio histórico, de 186 anos, na cidade. Estima-se que teatro com cavalos em Franca seja o terceiro mais antigo do país. Em Poconé (Mato Grosso) começaram ainda em 1769. A tradição em Pirenópolis (Goiás) é de 1826, a segunda mais antiga.

Muitos e muitos anos depois da primeira dramatização na cidade, surgiu, em 1998, o Clube das Cavalhadas da Franca, que passou a ser responsável pelas apresentações. O grupo tem apoio da Prefeitura Municipal e de patrocinadores.

Fonte: Clube das Cavalhadas da Franca

Alessandro Macedo

É jornalista e editor da Folha de Franca

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo