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Filho registra B.O. por suspeita de negligência médica após morte da mãe em Franca

Santa Casa afirma que "todos os passos seguiram as normas médicas e estão registrados no prontuário" da paciente

Um açougueiro de 35 anos, identificado como David Allison, procurou a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Franca para registrar um boletim de ocorrência por suspeita de negligência médica após a morte de sua mãe, Marlene do Rosário Silva, de 58 anos.

Segundo David, a mãe morreu dias depois de uma histerectomia (cirurgia para retirada total do útero), e a família questiona a condução do atendimento médico recebido antes do óbito. Dona Marlene do Rosário teria passado mal subitamente após 18 dias de recuperação. A causa da morte foi registrada como tromboembolismo pulmonar.

Segundo o filho, o médico que atendeu Marlene no Pronto-Socorro Álvaro Azzuz após a senhora ter desencadeado uma forte crise de falta de ar e que informou o óbito dela, teria questionado a falta de uso de medicamento anticoagulante no pós-operatório.

David passou a receber questionamentos de outras pessoas sobre a possível necessidade do uso deste tipo de medicamento após cirurgias. Por conta disso,, ele resolveu procurar a polícia para registrar o B.O..

De acordo com nota da Santa Casa de Franca encaminhada à redação (Veja a nota na íntegra logo abaixo), o uso do anticoagulante para Dona Marlene foi avaliado pela junta médica como não necessário. “(…) o uso de remédios para “afinar o sangue” (anticoagulantes) não é uma regra para todos os pacientes. No caso em questão, a paciente era saudável e não tinha doenças prévias”.

Segundo David, durante a fase de recuperação, a mãe fez toda a dieta e exercícios de caminhada, prescritos pelo médico. A nota da Santa Casa também faz menção ao exercício para o restabelecimento da paciente. “Ao avaliarmos o risco de formação de coágulos, a classificação foi moderada. Para esse nível, a recomendação médica padrão é apenas estimular que a pessoa volte a caminhar o quanto antes, sem a necessidade de remédios para usar em casa.”

O caso agora será analisado pelas autoridades para apuração das circunstâncias e possíveis responsabilidades.

David Allison concedeu entrevista à equipe de reportagem do Porça News, onde relatou a dor da perda e os motivos que levaram a família a procurar a Polícia Civil em busca de esclarecimentos.

A Polícia Civil deverá apurar o caso, podendo requisitar prontuários médicos, laudos e ouvir profissionais envolvidos no atendimento.

NOTA | Grupo Santa Casa de Franca

​”A instituição esclarece que o uso de remédios para “afinar o sangue” (anticoagulantes) não é uma regra para todos os pacientes. Esses medicamentos só são usados em casos específicos, após uma análise detalhada do quadro clínico de cada paciente.
​No caso em questão, a paciente era saudável e não tinha doenças prévias.
Ao avaliarmos o risco de formação de coágulos, a classificação foi moderada. Para esse nível, a recomendação médica padrão é apenas estimular que a pessoa volte a caminhar o quanto antes, sem a necessidade de remédios para usar em casa.
​Além disso, em cirurgias de grande porte, o uso desses medicamentos aumenta o risco de sangramentos graves. Por isso, a decisão de medicar deve ser muito cuidadosa.
Reforçamos que todos os passos seguiram as normas médicas e estão registrados no prontuário.
Estamos à disposição das autoridades para esclarecimentos de quaisquer dúvidas.”

Alessandro Macedo

É jornalista e editor da Folha de Franca

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