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Falar, ouvir, escutar

A língua propõe sinônimos que nos servem para fenômenos diversos. São inventados para isso, parece. Sutis variações nas percepções, nas sensações e até no evolver de pensar-sentir demandam diferentes palavras. Uma só palavra não basta: repetir mesmices cansa.

Uma só palavra não abre o mar vermelho das paixões para rotas várias de conhecer o mundo e eu; o eu diante do mundo.

Talvez por isso tagarelamos tanto… e nos desentendemos mais ainda. Tem gente que fala e não se escuta.

No entanto, …um olhar…um gesto…um sorriso…uma flor…a música! 

Algo na sonoridade da palavra – melodia, textura – fala mais do que um ou dois significados a ela atribuídos.  

Palavra é signo; o que ela encerra, depende de quem a escuta.

O que se escuta… por onde entra?

Palavras abstratas – verdade, amizade, amor, felicidade – padecem da ausência de melodia, da concretude de sensações.  Nelas cabem infinitos sinônimos, contraditórios até!

Palavras iluminam/cegam; abrem/fecham universos. Se vêm do corpo e da alma gemem, gritam , sussurram, evocam acordando vidas adormecidas.  

Palavras: entes demiúrgicos se bem cuidados.

Maria Luiza Salomão

Maria Luiza Salomão é psicanalista pela Sociedade de Psicanálise de São Paulo e mediadora de leituras, participante do projeto Rodalivro, membro da Academia Francana de Letras. Correspondente da Afesmil (Academia Feminina Sul-mineira de Letras).

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