
A língua propõe sinônimos que nos servem para fenômenos diversos. São inventados para isso, parece. Sutis variações nas percepções, nas sensações e até no evolver de pensar-sentir demandam diferentes palavras. Uma só palavra não basta: repetir mesmices cansa.
Uma só palavra não abre o mar vermelho das paixões para rotas várias de conhecer o mundo e eu; o eu diante do mundo.
Talvez por isso tagarelamos tanto… e nos desentendemos mais ainda. Tem gente que fala e não se escuta.
No entanto, …um olhar…um gesto…um sorriso…uma flor…a música!
Algo na sonoridade da palavra – melodia, textura – fala mais do que um ou dois significados a ela atribuídos.
Palavra é signo; o que ela encerra, depende de quem a escuta.
O que se escuta… por onde entra?
Palavras abstratas – verdade, amizade, amor, felicidade – padecem da ausência de melodia, da concretude de sensações. Nelas cabem infinitos sinônimos, contraditórios até!
Palavras iluminam/cegam; abrem/fecham universos. Se vêm do corpo e da alma gemem, gritam , sussurram, evocam acordando vidas adormecidas.
Palavras: entes demiúrgicos se bem cuidados.






