Doutor Estranho no Multiverso da Loucura flerta com o gênero de terror

Folha de Franca assistiu ao novo filme da Marvel antes da estreia e traz as primeiras impressões
Por Jota Silvestre
Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, que tem pré-estreia em Franca a partir de hoje (4), desbrava uma nova vertente no Universo Cinematográfico da Marvel, como é conhecida a sequência de filmes interligados inaugurada pelo estúdio em 2008 com o filme Homem de Ferro.
Desde então, os diretores encarregados pelos 27 filmes anteriores tiveram liberdade para flertar com diferentes gêneros além dos óbvios ação e aventura típicos dos super-heróis. Capitão América 2: O Soldado Invernal, de 2014, por exemplo, é um suspense político, enquanto Thor: Ragnarok (2017) carrega nas tintas da comédia.
No Multiverso da Loucura é o primeiro a introduzir elementos de terror. A escolha do gênero faz sentido: o novo longa da Marvel Studios é dirigido por Sam Raimi. Muito embora seja mais conhecido pelos ótimos dois primeiros filmes do Homem-Aranha nos cinemas, em 2002 e 2004, Raimi se destacou no circuito comercial no início dos anos 1980 com A Morte do Demônio, longa que daria origem à trilogia que ficou conhecida como Uma Noite Alucinante (1981, 1987 e 1992).
Multiverso
Como o próprio nome entrega, o segundo filme solo do Doutor Estranho (ele teve participações decisivas em “coletivos” como Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato, de 2018 e 2019), o mestre das artes místicas vivido por Benedict Cumberbatch, tem como argumento principal o Multiverso.
Para quem não está habituado à leitura dos quadrinhos de super-heróis, este conceito significa que existem infinitos “universos paralelos” habitados basicamente por versões diferentes das que conhecemos no “nosso” universo.
Quebrar as barreiras que separam estas muitas realidades é o poder da jovem America Chavez (a ótima atriz Xochitl Gómez, que acabou de completar 16 anos no dia 29 de abril), o que faz dela um alvo de forças malignas que pretendem usá-la para subverter as regras do Multiverso. A jovem acaba caindo na nossa Terra e fica sob proteção do Doutor Estranho e seu parceiro, o Mago Supremo Wong (Benedict Wong).
Por lidar com forças além do seu conhecimento, Doutor Estranho recorre à ajuda de uma antiga colega da equipe dos Vingadores, Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), mesmo sabendo que ela passou por graves transtornos emocionais num período recente – conforme mostrado na série WandaVisão, exibida pelo canal de streaming Disney+ no ano passado.

Cenas de arrepiar
A partir daí, o enredo se desenvolve por meio de batalhas místicas de tirar o fôlego e cenários impressionantes que representam os limites entre os diferentes universos. Em meio a isso, Sam Raimi embute os elementos que aproximam No Multiverso da Loucura do gênero de terror: bruxaria, zumbis, demônios alados e uma cena de perseguição num túnel que honra os melhores filmes de possessão demoníaca.
O roteiro muito bem encadeado e Michael Waldron e a direção segura de Raimi fazem com que as duas horas e seis minutos de duração passem sem que a audiência perceba. Benedict Cumberbatch é daqueles atores que parecem ter nascido para determinados papéis – mesmo caso de Hugh Jackman, como Wolverine, e Patrick Stewart, como Charles Xavier, apenas para ficar em dois exemplos também da Marvel.
Cumberbatch dá nova dimensão ao Doutor Estranho, especialmente quando encontra versões de si próprio nos outros universos e se confronta com a constatação do tipo de pessoa que ele poderia ter se tornado se as coisas tivessem sido diferentes. Mais que a busca pelo Livro de Vishanti, o artefato que lhe dará o poder para enfrentar as forças do mal, Estranho está numa busca por quem ele realmente é e qual seu papel na ordem do universo.
Muito além de simples coadjuvante, a Wanda Maximoff tem papel pivotal na trama, e Elizabeth Olsen comprova que está no seu melhor momento ao explorar com maestria as múltiplas camadas da personalidade transtornada de sua personagem.
Se há algum defeito em Doutor Estanho no Multiverso da Loucura é exigir da audiência um nível de conhecimento mais amplo do que vem sendo feito no Universo Cinematográfico da Marvel para aproveitar melhor a experiência. Embora alguns conceitos, como o do Multiverso, sejam explicados de forma didática e sem muita verborragia para quem está chegando agora, as pessoas que não assistiram a WandaVisão podem ficar sem compreender como a contida Wanda vista em sua última incursão no cinema, em Vingadores: Ultimato, se transformou na poderosa e imprevisível Feiticeira Escarlate.
Aqueles que, a contrário, acompanham as produções do estúdio no cinema e no streaming – outra série do Disney+, esta em animação, O que aconteceria se…? explica em detalhes o que é o Multiverso – terão uma experiência completa e, vale dizer, inesquecível. E aqui vai uma dica: permaneça sentado até o final da sessão, pois Doutor Estranho no Multiverso da Loucura tem duas cenas pós-créditos.








