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Dos Brasis: ancestralidade, arte e samba ganham espaço no Sesc Franca

O Sesc Franca abriu suas portas, no dia 28 de agosto, para uma noite de encontros, memória, arte e ancestralidade com a chegada da exposição “Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro”. O espaço recebeu um público que prestigiou uma programação especial dedicada à valorização da cultura negra e às múltiplas histórias que formam o Brasil.

Considerada a mais abrangente exposição dedicada exclusivamente à produção de artistas negros já realizada no país, “Dos Brasis” reúne aproximadamente 90 obras no recorte apresentado em Franca, entre pinturas, fotografias, esculturas, instalações, objetos, trabalhos têxteis, documentos e produções audiovisuais. A mostra tem curadoria-geral de Igor Simões, em parceria com Lorraine Mendes e Marcelo Campos, e propõe novos olhares para a história da arte brasileira.

Mas a exposição ganha em Franca um significado ainda mais especial. O recorte foi construído especialmente para a cidade e estabelece uma ponte entre a produção artística negra brasileira e a própria história francana. Abdias Nascimento, nascido em Franca; Isa do Rosário, que adotou a cidade como sua; e Carlos de Assumpção, que viveu, advogou e escreveu em Franca, aparecem como importantes fios condutores dessa narrativa.

Mangueira: samba, memória e ancestralidade

A abertura ganhou um capítulo especial com a presença da Velha Guarda Musical da Mangueira, que celebrou em Franca os 70 anos de trajetória do samba carioca. A apresentação aproximou ainda mais a exposição do público, fazendo com que as artes visuais dialogassem com a música, a tradição popular e a memória coletiva.

E um dos símbolos mais bonitos dessa noite foi justamente a presença da Mangueira dentro da exposição. O projeto apresenta o Pavilhão do GRES Estação Primeira de Mangueira, obra de 2022 em bordado, pertencente à coleção da própria escola de samba. A bandeira da Mangueira, colocada no Pavilhão do Samba, tornou-se um registro simbólico desse encontro entre o samba, a arte e a ancestralidade (foto).

Entre as presenças que prestigiaram a abertura esteve Luiz Deoclecio Massaro Galina, diretor regional do Sesc São Paulo, reforçando institucionalmente a importância de levar ao interior uma exposição que coloca a produção e o pensamento negro no centro da cena cultural.

Uma exposição para olhar o Brasil por outros ângulos

Organizada em sete núcleos temáticos, “Dos Brasis” percorre diferentes tempos, territórios e experiências da população negra. A proposta não é apenas apresentar obras, mas provocar uma revisão da própria história da arte brasileira, trazendo para o primeiro plano artistas, intelectuais, comunidades e saberes que foram, durante muito tempo, colocados à margem das narrativas oficiais.

Em Franca, essa experiência se torna também um convite para reconhecer a própria cidade. A exposição olha para o Brasil, mas também faz Franca olhar para si mesma, suas personalidades, sua história e a contribuição da cultura negra para a construção de sua identidade.

E talvez seja justamente essa a grande força de “Dos Brasis”: mostrar que ancestralidade não é apenas olhar para o passado. É reconhecer de onde viemos, valorizar quem construiu essas histórias e compreender como esses saberes continuam presentes na cultura, na arte, na música e na vida cotidiana.

Uma noite em que arte, samba e memória caminharam juntos, celebrando a cultura negra e lembrando que preservar a ancestralidade também é uma maneira de construir o futuro.

“Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro” fica em cartaz no Sesc Franca até 31 de janeiro de 2027, com entrada gratuita. A exposição pode ser visitada de terça a sexta, das 9h às 21h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.

Re Comparini

Re Comparini é jornalista, radialista e colunista reconhecida pela Abracco (Associação Brasileira de Comunicadores e Colunista⁩s Sociais). Também é psicóloga e implementadora de nr1 psicossocial

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