Direção da Unesp de Franca teme que invasões ao prédio do Centro possam acabar em tragédia anunciada
As depredações e sucessivas invasões ao prédio da Unesp da Major Claudiano, no Centro de Franca, podem culminar em evento mais grave como um incêndio no local, o que seria uma tragédia sem precedentes para o próprio imóvel e para moradores do seu entorno. A preocupação foi externada em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira, 5, pela diretora Fernanda Mello Sant’Anna e o vice-diretor Murilo Gaspardo. Ambos afirmaram que alternativas estão sendo estudadas, porém nenhuma vislumbra uma definição imediata. Estado e município já foram procurados pela instituição para buscar uma solução em conjunto, porém também sem definição. Caso não haja uma saída para o imbróglio, Fernanda Mello não descarta a venda do imóvel, o que, segundo ela, seria a última alternativa.

Entre as alternativas que são apontadas pela direção da Unesp estão a abertura de licitação para a ocupação do imóvel pela iniciativa privada. No entanto, as exigências para o local, como “respeitar seu tombamento e preservar sua finalidade educacional, cultural e de desenvolvimento científico e tecnológico” podem afastar eventuais interessados. O alto custo para a reforma da fachada e telhado do prédio (estimado em R$ 6 milhões) também são empecilhos para conquistar pretendentes. “Tivemos a visita da Infacap (colégio) que demonstrou interesse, porém nada definido”, disse a diretora.
Ainda de acordo com Fernanda, a Santa Casa de Franca também demonstrou interesse em ocupar parte do local para seu administrativo e almoxarifado. “Ainda que desse certo o prédio continuaria com uma área muito grande sem ocupação”, disse.
Sem alternativas reais, Fernanda não descartam estudar colocar o imóvel a leilão. “Seria uma última alternativa, mas precisamos estudar todas as possibilidades. Porém, corremos o risco de não haver interessados em comprar o imóvel também”, disse.
Segurança
O antigo prédio da Unesp está hoje totalmente desprotegido. O portão de entrada para veículos, assim como algumas janelas e portas foram arrombados, a fiação local foi (e continua sendo) furtada, partes de metais dos extintores e torneiras também foram levados. “O último furto computado foi da bomba d’água do local”, explicou Fernanda Mello.
Segundo o vice-diretor da instituição, Murilo Gaspardo, o orçamento para os reparos de segurança do local está em torno de R$ 40 mil, que não estavam no orçamento mas deverá ser autorizado pela reitoria da Unesp. “Porém, a reforma por si só não garante a continuação das invasões, pois é necessária a vigilância do local”, disse. Segundo Murilo, a contratação de uma empresa especializada em vigilância ficaria em torno de R$ 700 mil anuais, valor que não se justificaria para um imóvel sem uso. “A Unesp também não tem mais como ocupar o antigo prédio, já que temos toda uma estrutura pronta e à disposição da comunidade acadêmica aqui (no Jardim Petráglia, onde fica o novo campus da universidade)”, explica Fernanda Mello.
Interesse da cidade
Após a notícia de que parte de materiais e colchões da Secretaria de Educação haviam sido furtados do local, que encontra-se sem qualquer atividade, autoridades voltaram a discutir sobre o destino do imóvel que é tombado pelo Condephat de Franca como Patrimônio Histórico e Cultural. Desde a devolução do prédio pela Fazenda Estadual de forma unilateral e 10 anos antes do término do contrato (previsto para acabar só em 2029) diversas articulações foram feitas para tentar encontrar soluções para o prédio. Incluindo reuniões com o ex-Governador João Dória, com os Secretários de Desenvolvimento Regional e Desenvolvimento Econômico, Prefeito de Franca, vereadores e diferentes lideranças sociais e empresariais.
De acordo com a direção da universidade é preciso envolver toda a cidade na discussão para uma saída rápida.
Risco iminente
A preocupação da direção da Unesp Franca em relação ao risco de um incêndio no local é real e tem justificativa. Em abril deste ano, um imóvel comercial localizado também na área central onde já funcionou as famosas boates Tio Sam e Over Night pegou fogo e destruiu todo o prédio. Desta vez, os estragos foram apenas materiais, apesar do susto dos moradores vizinhos. A suspeita é que o fogo senha se iniciado por moradores em situação de rua ao fazer fogueiras com materiais do local.
“O prédio da Unesp é muito grande e tem muito material inflamável, como os pisos e todo o madeiramento do teto. Seria uma tragédia caso isso acontecesse”, reitera. Vale lembrar que no entorno do antigo prédio da Unesp existem inúmeras construções comerciais e residenciais, incluindo um prédio residencial e um hotel, todos ao lado do local.







