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Dez anos depois, marido faz declaração de amor tocante para a esposa

"Quando a vi a primeira vez, ela estava com seu All Star cano alto e roupa preta..."

Nesta mesma data, dez anos atrás, um jovem casal trocou seus votos em um dos momentos que consideram ser dos mais sublimes de suas vidas, o matrimônio. O cenário foi uma cidadezinha pacata do Sul de Minas, a cidade Prata.

Em depoimento à Folha de Franca, Josuel Ventura, o jovem dessa história, conta como foi o começo e o desenrolar dessa história de amor, antes de se mudar para Franca, onde construiu seu lar.

Dizem que nunca nos esquecemos de como conhecemos pessoas que se tornarão importantes na nossa vida. Josuel comprova isso, lembrando e contanto detalhes mínimos desde o dia em que viu pela primeira vez Tamy, aquela jovem que se tornaria a mulher de sua vida. Confira!

“Em meados de 2010, vivíamos o início da juventude, eu que por um lado sofria uma constante mudança de personalidade, de skatista punk rock a rockeiro fã e apreciador de Hard Rock, ela, por outro lado, amante fiel dos livros e dona de uma personalidade intrigante, extremamente tímida, com um clico de amizades muito restrito. Eu, em contraste, era mais aberto, tinha um grande número de amigos(a), sempre gostei de me socializar, ela já se considerava mais antissocial.

E num determinado momento de minha vida me deparei com ela em um dia meramente comum, numa padaria do nosso bairro. Me lembro com muita precisão, ela andava totalmente despreocupada com o que ocorria a sua volta, como se estivesse divagando, com a mente em outro lugar. Ela passou por mim com um olhar neutro e intransponível, o que me fez ficar totalmente compenetrado e curioso sobre ela.

Neste dia ela estava com seu All Star cano alto, uma calça jeans justa, um pequeno blazer preto e uma camiseta azul escura por baixo. E é claro, com aquela franjinha que cobria parcialmente seus olhos. Foi ali que eu senti que aquela garota meio gótica e misteriosa, tinha algo a mais do que qualquer outra garota que eu já tinha conhecido.

Daquele momento em diante, tentei de todas as formas me aproximar dela, primeiro virtualmente pelo famoso msn, depois pessoalmente, fazendo um convite a ela para um culto e, na sequência, para alguns rolês de skate. Depois dessa combinação inusitada de passeio, conseguimos ter alguns momentos a sós, foi quando tive a primeira oportunidade de expressar meus sentimentos por ela de uma forma mais aberta, mesmo que eu não tivesse total consciência do que sentia, sabia que ela tinha mexido muito comigo.

Ela me ouviu atentamente, mas sem esboçar nenhuma reação às minhas palavras. Resolvi dar um tempo para que ela pudesse digerir o que eu tinha dito. Três meses se passaram até que numa daquelas tardes comuns, em que jovens desocupados curtem uma preguiça em casa, ouvi meu nome ser chamado.  Quando sai para atender e ver quem me chamava, me deparo com ela. Vejo de longe ela esboçando um sorriso tímido e um pouco malicioso, chego até o portão, faço os cumprimentos de praxe e aguardo sua reação. Ela de imediato revela o motivo de estar ali… veio confessar seus sentimentos por mim. E ela o fez de uma forma tão singela, que me tocou. Lembro que a abracei afetuosamente, podia sentir sua respiração acelerada ao encostar meu corpo ao dela. Dei um leve e suave beijo em sua testa como forma de gratidão pela coragem que ela demonstrou. Assim que eu retiro meus lábios e minhas mãos de seu corpo, ela instantaneamente segura minha mão e me puxa para perto de si, e numa atitude arrebatadora se inclina para perto de mim e me beija de uma forma tão marcante, que não consigo mensurar em palavras a felicidade que senti naquele momento.

Em resumo, daquele instante para frente, foi um ano e seis meses de namoro, mais seis meses de noivado, até o dia 26 de janeiro de 2013, quando trocamos os nosso votos. Olho para esse dia hoje e vejo que a cada novo ano que compartilho ao lado dela, aquele dia ganha mais significância e importância, pois em dez anos vivemos e passamos por inúmeras situações, mas do que valeriam os nosso votos naquela dia, se não tivéssemos a paciência, a confiança e a esperança um no outro,? Minha amada Tamy, ao seu lado pude apreender que a resiliência do amor não está no quanto conquistamos, mas sim no quanto nos construímos melhor como pessoas. Você me mostrou que o valor de um homem não está no quanto ele possui de poder, mas no quanto ele está disposto a se doar e se sacrificar por aquilo que ele mais estima e considera ser precioso em sua vida. E tudo isso fez muito mais sentido quando você me concedeu uma das maiores honras de um homem, ser pai, e desses nossos dez anos de casamento, a nossa querida Elizabeth já vivenciou sete. É justamente nela que vejo a conjunção de nós, nela eu vejo a compilação perfeita da beleza de nosso relacionamento.

Não consigo traduzir em um relato só a dimensão e a proporção do que sinto por você, pois quando nos conhecemos, as palavras pareciam ser fáceis para descrever o que eu sentia, mas a cada ano ao seu lado, fui tomando de mais consciência do que realmente sentia, e a cada ano via que as palavras já não tinha peso, e sim as minhas atitudes. Então, neste dia tão especial, estou aqui expondo com total certeza de que nem o tempo nem a morte poderão apagar as marcas do nosso amor.”

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