Local

Conselho de Cultura pede o tombamento do prédio da MSM: ‘ele é histórico e há rumores de intenção de demolição’

O setor de arquitetura do Conselho Municipal de Cultura encaminhou à prefeitura de Franca, na semana passada, um requerimento por meio do qual solicita o tombamento do prédio da MSM, localizado na Avenida Rio Branco, na Estação. A justificativa para o pedido se baseia no fato do prédio ter valor histórico.

“O edifício é considerado o único exemplar da arquitetura da era industrial de Franca, da Era Vargas, e também por ser uma edificação que dialoga com todo o complexo arquitetônico histórico da Estação da Mogiana. O pedido foi feito devido à importância da edificação e da indústria na cidade de Franca. O prédio foi vendido e já há rumores de que há intenção de demolição por parte dos novos proprietários. Então, Conselho entrou com esse pedido de tombamento”, disse a conselheira Higina Teixeira Marques

O pedido de tombamento é dirigido ao Condephat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico). O presidente do Condephat, Pedro Tosi, informou que já tem informações relevantes a respeito do edifício e, com base nisso, será feito um estudo mais detalhado a respeito do tema.

“Tive acesso ao pedido do Conselho de Cultura (nesta semana). O levantamento fotográfico não é dos mais nítidos, mas é importante para se ter a dimensão arquitetônica do imóvel. Vamos notificar os proprietários. Estamos levantando material e já temos uma sequência de informações sobre o contexto sócio econômico e os personagens envolvidos. Falta analisar alguns levantamentos das plantas aprovadas com o instrumento 186 de março de 1938 para aprovação do núcleo original da construção, que é de 1938”, disse Pedro Tosi.

Ele completou detalhando alguns dos pontos que já foram observados, com relação ao edifício. “Já sabemos que o prédio está íntegro e temos depoimentos de trabalhadores de que o antigo proprietário, o sr. Wagner Sábio de Mello, era bastante zeloso na conservação do edifício. Sabemos que o edifício foi a leilão, talvez para saldar uma dívida trabalhista. Foi arrematado por pessoas de um grupo econômico local de projeção nacional. Sabemos que alguns anexos e ampliações não fazem parte do núcleo original. Consideramos que o imóvel tem fôlego porque é um legítimo representante e se coloca na paisagem urbana de Franca como testemunha eloquente das nossas raízes industriais”, disse ele.

Indagado sobre os próximos passos a respeito do processo de tombamento, Pedro Tosi disse que o imóvel é contemporâneo e faz parte da mesma conjuntura da qual resultou o Hotel Francano e o Parque de Exposições Fernando Costa. “Não preservar o núcleo da edificação a que se refere a manifestação do Conselho Municipal de Cultura poderá ter o mesmo impacto que teve a demolição do Hotel Francano. Um verdadeiro trauma na preservação da identidade e na noção de pertencimento a uma localidade para a memória de nossa gente. Por isso, teremos que dispor de tempo para fazermos um estudo dentro da dimensão técnica comumente exigida”, finalizou.

História

O prédio da MSM foi alvo do artigo “História da indústria de calçados se vai”, assinado pelo arquiteto Mauro Ferreira, colunista deste portal Notícias de Franca, e que alcançou grande repercussão na cidade. “O prédio é um magnífico exemplar da arquitetura industrial com sotaque britânico, único na cidade: tijolos vermelhos aparentes, lanternins suportados por estruturas de madeira para ventilação natural com um design sofisticado, fachada movimentada com recuos e marquises em balanço de concreto armado, grandes vãos livres para a atividade industrial, estrutura de suporte de uma caixa d´água em ferro apenas com rebites, sem soldas. Essa caixa d´água metálica com a logomarca da MSM e a chaminé de tijolos são, desde meados do século XX, uma referência visual na paisagem do bairro da Estação”, expõe Mauro em seu artigo. Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

O portal Notícias de Franca quer saber sua opinião. Você acha que o edifício deve ser tombado para preservar a história ou os novos proprietários devem ter liberdade para alterar ou demolir o prédio, caso queiram?

8 Comentários

  1. Tombem a casa de vocês! É brincadeira o prédio foi pra leilão e depois que alguém investe na compra vem a prefeitura querendo tombar e decidir o que o novo proprietário pode ou não fazer. Porque a prefeitura não comprou e tombou!? Por isso o Brasil não vai pra frente, até as prefeituras querem passar a perna nos outros.

    1. Tomba mesmo, depois a prefeitura vira as costas, abandona o local, e como sempre acontece o mesmo que o prédio da estação , casa de noia, de ladrão e vaso sanitário de desocupado, faça me o favor, quer tombar então compra essa porcaria e cuide!!!

  2. Muito bom, tombem mesmo, para depois o poder público virar as costas e o local virar casa de usuário de drogas, e infratores da lei e sanitário público, é lamentávelo, o cara comprar um prédio e depois vir a prefeitura querer tomba-lo façam o favor ein…

  3. Trabalhei na empresa Msm num total de 8 anos, o prédio era muito bem cuidado pelos donos, super zelosos. Deve ser tombado, faz parte da história industrial da cidade.

  4. O grupo que comprou pode e deve preservar a sua estrutura arquitetônica, é um prédio bonito e sem necessidade de grandes mudanças e como li vários comentários acima, tombam o prédio e depois deixam a Deus dará. Um diálogo dos órgãos competentes com os proprietários pedindo a preservação do prédio histórico seria muito mais viável,esse grupo sendo francano sabe o valor que tem para Franca esse prédio, em especial os moradores da Estação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo