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Clínica contratada pela Prefeitura para castrar cães e gatos apresenta inúmeras irregularidades, diz Conselho Regional de Medicina

Uma denúncia dos protetores de animais de Franca continua sem solução por parte da Prefeitura. Os amantes de animais apontaram que a Clínica Veterinária contratada pela Prefeitura para realizar castrações de animais abandonados e de baixa renda apresenta diversas irregularidades, todas elas tendo sido apontadas em documento do Conselho Regional de Veterinária do Estado de São Paulo.

Após uma série de queixas e denúncias, o Conselho Regional inspecionou o local e o considerou inapropriado para realizar procedimentos de castração. O documento analisou fatores como localização, instalações para recepção e espera, sala de atendimento e ambiente cirúrgico. O último item apresentou uma série de irregularidades.

Entre as pessoas que procuraram a Folha de Franca para denunciar a situação está a protetora dos animais Karla Pereira. “Além de ser um ambiente que foi considerado inapropriado pela estrutura, ele tem histórico ruim. Diversos animais que passaram pelo processo cirúrgico naquele lugar, apresentaram complicações como hemorragia e infecção. Temos, inclusive, histórias mais tristes ainda de pets que morreram em virtude do procedimento inadequado”, disse ela, indignada com o fato da clínica prestar serviços pagos pelo dinheiro público.

A protetora disse que a desconfiança em relação ao serviço da clínica começou devido ao valor que era destinado para cada castração; cerca de R$ 81, disse Karla. “Esse valor é muito baixo para que seja realizado um procedimento que atenda todos os requisitos de uma castração adequada. A partir disso, juntamente de outros cuidadores e ONGs da cidade, começamos a monitorar a situação da clínica. Não demorou muito para começarem a surgir os casos de complicação”, disse ela.

Karla revelou que diversos tutores começaram a procurá-la para denunciar a negligência com que seus animais eram tratados. “O pessoal me procurava dizendo que havia castrado seu pet na clínica e que o animalzinho teria tido sequelas da castração. Muita das vezes eram animais com hemorragia, órgão inflamado, entre outras queixas”.

O relatório do Conselho Regional apontou uma série de irregularidades com relação ao ambiente cirúrgico “Não havia sistema de iluminação emergencial, aspirador cirúrgico, laringoscópio, sistema de aquecimento para o paciente como colchão térmico e/ou aquecedor e não existiam equipamentos para suporte ventilatório como ambu e/ou ventilação mecânica. Os instrumentais cirúrgicos não estavam em quantidade adequada à rotina e não tinham materiais de reserva previamente esterilizados. No momento da fiscalização os instrumentais estavam sendo “esterilizados” em uma estufa. Não há autoclave no estabelecimento. Os medicamentos controlados de uso humano (midazolam, diazepam, cloridrato de tramadol e isofluorano) não estavam armazenados em armário provido de fechadura e não era feito o registro destes em livro específico. Também não havia medicamentos classificados como anti-hemorrágicos. No momento da fiscalização foi constatado que as vestimentas do profissional não estavam adequadamente asseadas. Foram apresentadas luvas cirúrgicas e um saco de aventais descartáveis, entretanto o mesmo estava lacrado. No ambiente destinado ao preparo do paciente há uma mesa de aço inoxidável utilizada para realizar a tricotomia com máquina de tosa e identificação dos pacientes por meio de tatuagem. No ambiente destinado para antissepsia e paramentação tem pia com torneira com acionamento manual, dispensador de detergente, porta papel toalha, bandeja de aço inoxidável com frascos-ampola de anestésicos, antibióticos, anti-inflamatórios e antisséptico tópico, caixas de luva e diversas almotolias plásticas. Havia 6 gaiolas modulares de aço inoxidável no ambiente de recuperação do paciente com cães e gatos aguardando para serem operados. A sala cirúrgica possui piso de azulejos (alguns quebrados) com sujidades, ralo com grelha permitindo o refluxo de odores, entrada de insetos e/ou roedores, as paredes eram impermeabilizadas até o teto, os cantos nos limites parede-piso e parede-parede eram retos, não havia telas nas janelas e seu acesso não era através de antecâmara.”

A Prefeitura foi procurada pela reportagem da Folha de Franca para dar esclarecimentos a respeito dessa situação e explicar o porquê de uma clínica com um relatório tão negativo e denúncias sérias foi a escolhida para prestar serviço pago com dinheiro público. A prefeitura foi questionada se tinha conhecimento das precariedades apresentadas pelo local; quais medidas serão tomadas e se a clínica segue em funcionamento e realizando castrações? Mas, a Prefeitura se restringiu a responder, por meio de nota, apenas que: “após conhecimento do caso, a Secretaria de Meio Ambiente e a Vigilância Sanitária estão tomando as providências necessárias”.

Agora, com a situação exposta pelo Conselho Regional de veterinária, um ofício foi encaminhado à Câmara dos Vereadores para que medidas cabíveis sejam tomadas.

Esquerda: Ambiente de antissepdsia e paramentação ao lado do ambiente de recuperação. Direita: estufa utilizada para “esterilização” de materiais, armário com materiais, equipamentos e produtos desifentantes, e caixas de transporte com gatos se recuperando da anestesia. (Imagens Relatório do Conselho Regional de Veterinária)

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