Cavalhadas reúnem centenas de pessoas no Fernando Costa

Foi realizada, no sábado e domingos, mais uma edição das Cavalhadas da Franca, evento que acontece desde 1831 no País e é uma tradição cultural e histórica, que representa as batalhas entre mouros e cristãos na Idade Média. A representação francana é uma das mais antigas do Brasil, realizada pelo Clube das Cavalhadas da Franca, junto da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Desenvolvimento, e da Feac (Fundação Esporte, Arte e Cultura). O teatro sobre cavalos foi realizado no Parque de Exposições Fernando Costa e reuniu centenas de pessoas.
“As Cavalhadas têm quase 200 anos em Franca, então é muito importante para a nossa cidade, para a cultura da nossa cidade, para a cultura do país. Muito obrigado a todos vocês que vieram aqui neste domingo para assistir às batalhas, para entender a luta dos mouros contra os cristãos. Parabéns à Cavalhada, ao Clube, pela organização e pela perseverança em todos esses anos. Esperamos vocês o ano que vem, cada vez mais fortes”, disse o prefeito Alexandre Ferreira. (continua após a publicidade)
O espetáculo

A festa começou na noite de sábado, com a Cerimônia dos Encamisados. Os cavaleiros se apresentaram com cones nas cabeças e roupas brancas, em um espetáculo que começou iluminado apenas pelas lanternas dos pajens. A encenação representa o início da guerra entre mouros e cristão.
O público presente ao Parque Fernando Costa pôde se emocionar com a representação milenar, tradição portuguesa, que em Franca tem quase 200 anos.
Na tarde de domingo, a representação teatral da batalha entre mouros e cristãos, que aconteceu entre o Sul da França e Norte da Espanha, tomou conta do campo central do Parque, com cavaleiros vestidos com fardas de cada exército e os cavalos enfeitados com fitas e sinos.
A encenação contou com 26 cavaleiros, sendo um príncipe de cada lado, espias, embaixadores, além de dois reis – o sultão de Constantinopla (Mantena mouro), que invadira a Europa, e o cristão Carlos Magno (Mantena cristão). O elenco é completado pela princesa moura, personagem central da história, que acaba convertida ao cristianismo e convence o pai, o rei mouro, a se converter também, dando fim à guerra.
Cada cavaleiro e seu cavalos são cuidadosamente assistidos por um pajem.
O grande público presente no domingo ficou entusiasmado e se encantou com as coreografias e diálogos travados entre os personagens das Cavalhadas. Crianças, adultos e idosos acompanharam de perto as batalhas, se emocionaram em cada encenação, como a morte do espia, o roubo da princesa ou o incêndio do castelo mouro, representando a vitória cristã.
No intervalo das Cavalhadas, houve a apresentação da Dança dos Velhos, outra tradição francana que data do século XIX, originária da Festa do Divino Espírito Santo, que estava adormecida e foi resgatada após anos sem ser apresentada. Fantasiados de velhos e acompanhados de uma dama cada, os participantes encenaram uma espécie de quadrilha, com passos marcados e muita música.
Ao final das Cavalhadas, aconteceu a demonstração de habilidades dos cavaleiros, durante o torneio das argolas e cabecinhas. Cada participante cruzou o campo, ora com a lança ora com a espada em punhos, com a missão de acertar as cabecinhas dispostas no gramado.
Homenagem
Outro momento marcante da edição 2023 foi a homenagem a Paulo Lemos, um jovem de 30 anos, que morreu precocemente, era corredor e um entusiasta das Cavalhadas da Franca. O presidente do Clube das Cavalhadas, Marcus Vinícius Falleiros Palermo, entregou uma placa à família do amigo de clube e irmão de vida, e um cavaleiro correu as encenações seguintes com uma faixa com a foto e nome de Paulo, como se fosse uma capa.
“Costumo dizer que Cavalhada é antes de tudo respeito ao cavalo, é gostar do cavalo, respeitar a história e, sobretudo, é uma família. Uma família de amigos que se congrega, que tem um respeito mútuo, um carinho. Paulo era um amigo, um irmão, um grande amante e incentivador de todos nós, nas Cavalhadas. Ele nos deixou precocemente, aos 30 anos, e essa homenagem é para marcar a memória do nosso querido Paulo, aqui com os amigos, os primos corredores, para que ele seja e esteja eternizado nos corações e na memória das Cavalhadas”, disse Marcus Vinícius.







