O nada em tudo

A vida acaba onde o Reino de Deus começa, diz Nietzsche, a pretexto de amaldiçoar a crença no inalcançável por sua autoproclamada inteligência e capacidade plena de se salvar por toda a eternidade.
A sua inspiração para proferir a contraditoriamente correta frase partiu do nada. Perfeitamente, para quem se acredita ser tudo, o nada é o que o preenche, como se enche a uma saca, de arroz em casca, com sentido de peso e de alienação, pela regra do livre comércio das coisas lícitas. As ilícitas povoavam a sua alma, como podem se apossar das nossas, apenas vinte e quatro horas por dia.
É de boa prática soprar a poeira do tempo que ofusca o termo ‘nihil’, do morto latim, na significação de nada. Ficamos com nulo.
O triunfo das nulidades não tardaria.
Ruy Barbosa chegou atrasado para a proclamação dessa barbaridade. Este soteropolitano é do século 19 depois d’Ele, o Cristo. O alemão, filho de pastor luterano, é cinco anos mais velho que o baiano e político de nomeada da República que, à moda verde-e-amarela, numa recaída de ocasião, rendeu-se à monarquia. Alguma rainha o seduzira para escrever peças clássicas de nossa literatura.
A moral judaico-cristã intrigava o adolescente rebelde e operou nele uma espécie de comparação das sociedades antes e depois do cristianismo, tendo classificado a este como o fator central do enfraquecimento do ser humano na era moderna, nas doutrinas de acabrunhados formadores de opinião em materiais postos à disposição de incautos e menos favorecidos pela sorte de quem tem disposição e ânimo para estudar, pesquisar e, em exercício de humildade, descer a bola da empáfia à altura do chão e, perdido, reencontrar-se com a sua insignificância pessoal, emblemática em um ponto de interrogação, a questionar de onde vim, quem sou eu e – para complicar geral – para onde eu vou.
Na morte para o mundo, o filólogo da Prússia, embaraçado em suas dúvidas incessantes e sufocantes, não se deu o direito de estudar a língua dos anjos! Conhecimentos seculares não lhe dariam a milagrosa dádiva.
Vou ao apóstolo Paulo, sujeito de cultura superior à de seus conterrâneos judeus; e à dos romanos, por extensão dos efeitos geopolíticos do Império que também caiu, desabou na sua prepotência e ambição desmedida de poder e por terras: “palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar”. Danou-se!
O dom de falar aos outros pode não convencer o que fala. A confusão subjetiva se instala no ato. As certezas próprias transumutam-se em dúvidas ao pensador, que, inabilitado a pronunciar aquelas amorosas e sublimes sentenças, morre sem conhecer o Reino de Deus, por sua aversão à religião, e ao Espírito Santo. Intolerâncias se abrigam em togas e becas, em cabeças que amam coroas e capelos.
Não me venham com conversas sobre religião. Religião e política não se discute. Será? O debate de ideias produz o arejamento dos pensamentos e do ensino de temas, assuntos e questões, por complexas e polêmicas que sejam.
Radicalismos ceifam vidas, decapitam santos e gênios.
A religião e política se misturam; e ciência vem nessa esteira, ora rolando para frente e para baixo; e, ultimamente, como se deu no Iluminismo, no espírito de um movimento intelectual que defendeu a valorização da razão em detrimento da fé e que, somente pela razão seria possível entender o mundo e os fenômenos da natureza. Sendo um posicionamento tão excludente, o século das luzes pode levar a uma eternidade de trevas.
A vida acaba onde o Reino de Deus começa, verdadeiramente, profetizaria o ateu confesso, ignorante de que Deus o usava para dizer o que o seu coração não se atinou para uma verdade de força extraordinariamente libertadora.
Temos Albert Einstein na ponta do cursor. Com a sua licença, vou colar :
“A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega”.
Mentiu o célebre físico, também da Alemanha, simulando estar vivo para desenvolver suas teorias científicas, quais a explicação do movimento das pequenas moléculas que pairam sobre a superfície dos líquidos; as causas do efeito fotoelétrico; e a sua teoria da relatividade especial, na qual propõe que tempo e espaço não são absolutos, mas dependem do observador?
Deus é a fonte de todo o saber e sua Palavra, cujo repositório é a Bíblia Sagrada, nos é a chave de acesso e senha de todo o conhecimento. O que é ciência, Nietzsches, senão conhecimento?
Agora, chega. Queremos ouvir Jesus, aquele cujo natalício extrapola o 25 de dezembro, para nascer, renascer e trazer vida nova para os que n’Ele creem:
“Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”. (João 14:6)
Alguém teria inventado a fórmula para que haja vida onde Deus não está, ou seja, fora do Reino de Deus!
Paulo sai em nossa ajuda, para exortar racionalmente, pois que de doutor para doutor, ele também era doutor, ensinado, desde Jerusalém, pelo Rabã Gamaliel (mais que Rabi, na cultura hebraica). É pouca coisa?
“Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo”. (Colossensses 2:8)
De quantos natais é feito o seu Natal?
A paz do Senhor!







