“Eu faria diferente, mas espero que ele acerte”, diz João Rocha sobre gestão de Alexandre
Terceiro colocado nas eleições para prefeito no ano passado, João Rocha é o nosso entrevistado de hoje. Personagem antigo na política francana, o historiador e bacharel em Direito ingressou no mundo político ainda muito jovem, com apenas 20 anos, em 1977.
Na época, ainda sem filiação partidária, João Rocha integrou o governo do então prefeito Maurício Sandoval Ribeiro, sendo secretário de Agropecuária, Indústria e Comércio; assessor de Comunicação; secretário de Obras e também assessor de Gabinete. No ano de 1982, já filiado ao PP, foi candidato a prefeito pela primeira vez, conquistando o segundo lugar.
Em 1988, novamente com o saudoso ex-prefeito Maurício Sandoval Ribeiro, foi eleito vice-prefeito de Franca, agora já no PDT. O mandato foi cumprido entre 1989 e 1992 quando também exerceu a função de presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca). “Esse foi um momento muito gratificante, porque nós trabalhamos muito pela cidade e pela infraestrutura de Franca. Ajudamos muito os bairros mais distantes do Centro e praticamente zeramos a cidade em termos de problemas de infraestrutura naquela época”.
Depois desse período, João Rocha ficou fora do cenário político durante muitos anos, retornando apenas nas eleições de 2016 como vice-prefeito na chapa da então candidata pelo MDB, Flávia Lancha.
Em 2020, já no PSL, e tendo Fábio Meirelles como candidato a vice-prefeito na chapa, João Rocha se candidatou à prefeitura e obteve 25.860 votos, o correspondente 18,01% dos votos válidos, ficando em terceiro lugar na disputa eleitoral de Franca.
Folha de Franca – O senhor ficou muitos anos fora da política, retornando em 2016 como candidato a vice-prefeito e nas últimas eleições como candidato majoritário. Como foi esse retorno?
João Rocha – Em 2016, na verdade, foi uma participação, não considero como um regresso à política, não. Eu tive, sim, uma participação, mas o nosso regresso efetivo, mostrando aquilo que nós tínhamos possibilidade de fazer e o que já fizemos pela cidade, ter uma oportunidade de mostrar uma proposta de trabalho, como nós fizemos na campanha, eu considero agora, em 2020.

FF – O que acha que poderia ter feito diferente para ter ido para o segundo turno nas últimas eleições?
João Rocha – Na verdade temos uma conjunção de fatores. Até dezembro de 2019, que antecedeu o ano das eleições, eu não tinha nem ideia, sendo bem sincero, de voltar a fazer política. E quando foi em fevereiro de 2020, fui procurado a pedido do saudoso senador Major Olímpio para assumir o PSL em Franca, que era o maior partido e é até o momento o maior do País. Mas esse partido só me foi entregue no dia 17 de fevereiro do ano passado. O que isso significa na prática? Que eu tive pouco mais de 30 dias para organizar uma candidatura, pois tudo tinha que estar organizado até abril. Mesmo que as eleições tenham acontecido apenas no fim do ano, existem prazos e regras que têm que ser cumpridos. Então, o tempo pra nós nos organizarmos foi muito curto. Se somarmos todos os votos dos nossos candidatos a vereadores, aos quais sou muito grato, arredondando deram 13 mil votos e nós tivemos quase 26 mil votos, ou seja, quase o dobro. E você pegar o resultado do candidato que se elegeu, se somar, também arredondando, todos os candidatos dele fizeram 25 mil votos e ele fez 28 mil. Os candidatos a vereadores dele, com muito respeito, o ajudaram a puxar votos e isso é fundamental. Mas vou repetir, não tenho nenhuma reclamação, tenho que agradecer aqueles que somaram comigo, mas é uma realidade. Além disso, no fim da campanha nos faltaram recursos. Mas tudo bem, são coisas que acontecem.
FF – O prefeito Alexandre Ferreira venceu as eleições para prefeito no ano passado se apresentando como o único candidato capaz de resolver todos os problemas da cidade. Como o senhor avalia os cinco primeiros meses de governo dele? O prefeito está entregando o que prometeu?
João Rocha – As campanhas são feitas para que você mostre aquilo que você pretende. Suas ideias, seus propósitos, aquilo que é real, aquilo que é factível e aquilo que não é. E fazendo uma análise de todos os candidatos de Franca, nós tivemos alguns que sequer sabiam o porquê vieram para a campanha. Alguns candidatos que, nas suas colocações e propostas, não sabiam direito nem o que e nem do que estavam falando. Outros vieram dizendo ‘se eu ganhar, vou agir dessa forma, porque eu entendo, eu sei da pandemia’. A colocação que fiz, quando fui chamado a falar sobre pandemia, se fosse eleito, foi sempre agir com cautela. Quando se administra em pandemia, às vezes você não sabe o que vai precisar ser feito nem na próxima semana. Às vezes são situações, como estamos vendo aí, que precisam ser administradas hora a hora, dia a dia. Vimos em campanha, candidatos prometendo que se ganhasse manteriam academias abertas, comércio aberto e que a situação seria a melhor do mundo. O povo que faça o julgamento agora. E vou deixar que a história diga se as coisas foram acertadas ou não. Deixe que as coisas andem e a realidade seja mostrada.
FF – Consegue vislumbrar como será a administração do prefeito quando a pandemia acabar? Ou seja, quando ele tiver uma rotina mais próxima da ‘normal’?
João Rocha – O que eu posso dizer é que nós fizemos uma campanha na condição de adversário do prefeito que está aí, nós tínhamos propostas reais e factíveis para a cidade, foi por isso que nos propusemos a condição de candidatura. Não farei julgamentos, espero que ele acerte, porque a cidade precisa de acertos. E lá na frente, em uma outra campanha, em outras situações, em um outro debate ou outro embate, nós vamos discutir se ele acertou ou não, se existem questões que podem ou não ser colocadas. Mas acho que é muito cedo para saber.
FF – Você faria algo diferente do que o atual prefeito está fazendo?
João Rocha – É claro que se eu tivesse na administração, coisas teriam sido feitas diferentes. Porque as nossas propostas eram diferentes. Nosso plano de governo era diferente. A minha origem política é diferente da dele. O formato de pensar é diferente e por isso fomos adversários. Por isso, inclusive, alguns anos atrás me tiraram o partido e tentaram me forçar ser candidato a vice-prefeito com o Alexandre e eu não aceitei. Isso está nos jornais, foi publicado. E por que eu não aceitei? Porque as nossas origens, pensamentos e formas de agir são diferentes. Simples assim. Não quero aqui fazer um julgamento, apenas pontuando que, sim, tomaria decisões diferentes, exatamente por termos opiniões diferentes.
FF – O senhor sempre disse na campanha que era do PSL, o partido que elegeu o presidente Bolsonaro. Na sua opinião, qual o tamanho da culpa do presidente pelas mais de 420 mil mortes por Covid no Brasil?
João Rocha – Não enxergo assim. Não estou o protegendo e nem vou fazer isso aqui, que não é o meu papel, nenhuma crítica nesse sentido. O Governo Federal teve que tomar algumas providências, obrigado inclusive por questões de ordem judiciais, pelo próprio Supremo, como sabemos. Ele ficou responsável de fornecer recursos e que a gerência ou a execução dos planos em termos de Covid ficaram para os governadores e prefeitos, isso está muito claro. Agora o embate político, que a culpa é de um ou de outro, sempre vai existir. Eu não enxergo como responsabilidade dele, vejo que ele fez o que pôde. Os adversários vão dizer que a culpa é dele, mas nós sabemos claramente que tem, sim, em vários Estados, o mau uso do dinheiro público, porque é um dinheiro que veio para os municípios e Estados para ser usado para o combate da Covid ou para eventuais perdas da Covid. Então, quando falamos isso, esse dinheiro pode ser usado em quase tudo. No momento em que estamos vivendo em tempos de pandemia, uma série de questões e exigências legais para o uso do dinheiro público deixam de ser exigidos, ou seja, os preços e as concorrências. Aí começamos a ver um monte de problemas, como estamos vendo, em vários Estados e municípios.
FF – Está em andamento uma CPI que investiga a falta de ação do presidente no combate contra a Covid-19, inclusive com diversas tentativas de empresas de venderem vacinas para o Brasil. Também não foi ineficiência ou omissão do presidente?
João Rocha – O fato de o presidente dizer ‘fique à vontade, vacine ou não’, você como uma pessoa esclarecida e com todos os meios de comunicação aí, a escolha é sua de vacinar ou não. No momento de comprar as vacinas o presidente transferiu o dinheiro para os Estados.
FF – Mas o papel de comprar a vacina é do Governo Federal. O presidente negou 11 vezes comprar a vacina. Isso não é uma omissão, independente se a população ia ou não querer ser imunizada?
João Rocha – Não demorou, desculpe, mas eu vi dinheiro chegar em Franca muito antes da nossa campanha, logo no começa da pandemia. Nós sabemos que isso chegou em todos os Estados. Eu não estou defendendo o presidente. Por que o Dória (governador de São Paulo) conseguiu comprar os insumos? Acabei de dizer que as verbas do governo enviadas para o combate a Covid poderiam ser usadas para a Covid ou em situações correlacionadas à Covid. Então os governadores não podem dizer que o presidente não comprou, o dinheiro estava nas mãos deles. Eu falo que na questão política, antes de tudo, é preciso ter sensibilidade e dignidade de dizer a verdade. Não estou aqui protegendo o presidente, estou aqui realmente dizendo o que está acontecendo. Ele fez um monte de coisas que não deveria? Andou sem máscara, falou demais? Fez. Não vou dizer que não. Mas agora a culpa das mais de 400 mil mortes, como a esquerda e uma imprensa marrom, que nós sabemos que existe, querer culpá-lo e só ele, não. Estamos cansados de ver que as concorrências não foram feitas de forma honesta, que as compras dos materiais têm uma série de problemas. Aqui mesmo em Franca temos o Gaeco batendo em porta de ex-prefeito, não em relação à Covid, mas de irregularidades. Estamos cansados disso. Ele é culpado se você fez uma reunião com 600 pessoas? Existe responsabilidade social, existe responsabilidade dos prefeitos, governados, deputados, senadores e, claro, existe responsabilidade do presidente também.
FF – O senhor já se vacinou? Pretende se vacinar?

João Rocha – Sim, tomei a vacina há algumas semanas, quando chegou a imunização das pessoas com 63 anos, minha idade. Inclusive tive Covid em janeiro, tive um leve sintoma, um estado febril e dor no corpo. Corri para o infectologista e tomei todos os remédios que o médico me recomendou e que achei que deveria, porque não é só o médico dizer. As responsabilidades existem para serem assumidas. Ele receitou e concordei e tomei. A vacina que tomei foi da AstraZeneca e em julho receberei a segunda dose.
Folha de Franca – Pretende voltar a disputar outras eleições? Sairá a deputado estadual ou federal no ano que vem?
FF – Nós neste momento estamos com um trabalho de reestruturação e reorganização do PSL a nível de Franca e região. O PSL estadual foi dividido em 16 grandes regiões e uma dessas regiões ficou pra nós, na condição de coordenador. Então, nós temos primeiro que estruturar o partido, as direções partidárias, os grupos que queiram trabalhar conosco, no formato que nós trabalhamos. E, a partir do momento que nós tivermos um partido estruturado, um partido organizado, o partido deve, sim, participar das próximas eleições. Não só das próximas, mas das outras e das outras. Voltamos para fazer política e não vamos deixar de fazer. É claro que um partido do tamanho do nosso não pode deixar de participar das eleições de uma cidade do tamanho de Franca, próxima dos 240 mil eleitores, com dificuldade de representação em nível de São Paulo e Brasília. É muito cedo para falarmos de nomes. Acho que o nome tem que ser antecedido pela organização e estruturação partidária. Se você tiver um partido bem-organizado e bem estruturado, surgem nomes que até com dificuldades, podem ter sucesso. Mas se você tiver um partido desestruturado e desorganizado, nomes bons podem ser sacrificados.
FF – O grande aliado do senhor foi o Major Olímpio, que morreu de Covid. Sem o apoio do ex-senador, suas chances de ser eleito para algum cargo foram reduzidas?
João Rocha – Eu entendo que não. A política se faz assim, com parcerias, claro, mas você precisa ter vida, personalidade e propostas próprias. E tenho convicção clara de que tenho as minhas propostas, os meus pontos de vista e as minhas ideias. E acredito, sim, claro, que boas parcerias somam, mas não adianta eu ter excelentes parceiros, se eu for vazio de ideias, de propostas, um preguiçoso e não quiser trabalhar. Acho que a política se faz em cima de práticas, de trabalho e de ideias. E eu tenho isso para fazer política e já mostramos isso em duas outras oportunidades quando trabalhamos pela cidade.
FF – Recentemente, a vereadora Lurdinha Granzotte, representante do PSL na Câmara de Franca, se envolveu em uma polêmica após participar de um protesto antidemocrático. Qual sua opinião sobre o caso?
João Rocha – Primeiro, não é a minha opinião ou orientação, mas do partido. Até porque ela não conversou comigo antes de tomar a decisão de participar ou não do protesto. Essa foi uma decisão isolada dela, não partidária, isso é importante que fique claro. E quando eu digo que a orientação não é minha, é porque os partidos têm estatutos. E o estatuto é a orientação partidária. Eu, por exemplo, como presidente do partido em Franca e coordenador regional, tenho que estar atento aquilo que o estatuto preconiza. E quem ocupa cargo e esse cargo está vinculado a um partido e vinculado a um estatuto, deve a mesma obediência. Precisamos respeitar as instituições democráticas e as atitudes republicanas que a democracia exige. Se me perguntar, você acha que ela acertou? Não, ela não acertou, pois está contrariando o estatuto partidário. Ela não conversou comigo. Agora ela tem um mandato e ela tem responsabilidades e, muito mais para a população do que para mim, ela tem que prestar conta do cargo e das responsabilidades que tem.






Um idealista com excelentes propostas que com certeza num futuro próximo será colocadas em pratica 😉