Virgínia Fonseca depõe na CPI das Apostas e desafia senadores: ‘Se faz mal, proíbe tudo’

Depoimento da influenciadora digital e empresária Virgínia Fonseca, 26 anos, movimentou a sessão da CPI das Apostas nesta terça-feira (14). Convocada a prestar esclarecimentos sobre sua atuação na promoção de casas de apostas online, ela afirmou que nunca divulgou empresas não regulamentadas e provocou os senadores ao declarar: “Se realmente faz tão mal, proíbe tudo, acaba com tudo”.
Amparada por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe garantiu o direito ao silêncio, Virgínia respondeu à maior parte das perguntas e negou qualquer envolvimento com empresas ilegais. Disse também que estuda a possibilidade de encerrar sua relação com o setor. “Eu vou pensar sobre, senadora. Não vou mentir. Mas gostaria que chamassem todos os times de futebol, as emissoras de TV, os eventos patrocinados. Tudo tem bet”, afirmou durante a oitiva.
Convocada pela relatora da CPI, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), Virgínia destacou que sempre deixou claro nas suas campanhas que apostas são proibidas para menores de idade e desaconselhadas a pessoas com histórico de vícios. Questionada sobre ganhos, se recusou a revelar valores pagos por contratos publicitários.
Contratos e faturamento – Durante o depoimento, a influenciadora confirmou que trabalhou com duas empresas de apostas: primeiro, com a Esportes da Sorte, atualmente investigada na Operação Integration, e atualmente com a Blaze, com quem mantém um contrato ativo. Disse ainda que realiza divulgações semanais no Instagram e reforçou que não tem ganhos vinculados a perdas dos apostadores.
Apesar da forte presença em campanhas publicitárias, Virgínia ressaltou que o segmento de apostas não representa sua principal fonte de renda. Sua marca de cosméticos, WePink, movimentou aproximadamente R$ 750 milhões em 2023.
Esforço para dar relevância à CPI – A presença de Virgínia Fonseca é vista por analistas políticos como uma tentativa de dar visibilidade a uma CPI que, até aqui, tem sido criticada por falta de foco e esvaziamento. A comissão foi instalada em novembro de 2024 e teve seu prazo de funcionamento estendido até 14 de junho.
Oficialmente, a CPI investiga os impactos das apostas online no Brasil, incluindo práticas de marketing, envolvimento de influenciadores, lavagem de dinheiro e possível exploração de consumidores vulneráveis. A lei que regula o setor, Lei 14.790/2023, foi sancionada pelo presidente Lula em dezembro do ano passado.
Durante a sessão, Soraya Thronicke reforçou que a convocação da influenciadora foi motivada por seu alcance expressivo nas redes sociais e seu papel como figura pública na promoção de empresas do ramo. Segundo a senadora, o objetivo é compreender melhor a dinâmica de divulgação e o efeito desse tipo de propaganda sobre a população, especialmente o público jovem.








