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Veja 5 pontos para não esquecer o golpismo e as mentiras de Bolsonaro

O julgamento que pode tornar Jair Bolsonaro (PL) inelegível pode terminar nesta quinta (29), em sessão que começou às 9 horas.

A corte tem sete ministros. Três deles são também do STF (Supremo Tribunal Federal), dois do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e dois oriundos da advocacia.

Na última terça-feira (27), ao votar pela inelegibilidade de Bolsonaro, o ministro Benedito Gonçalves, relator da ação, afirmou que o ex-presidente banalizou o golpismo, incentivou uma paranoia coletiva com as investidas contra o sistema eleitoral e atuou para demonstrar uma simbiose com as Forças Armadas.

O ministro traçou em seu voto para condenar Bolsonaro a escalada golpista desde as lives de 2021 com os ataques às urnas eletrônicas, passando pela reunião com embaixadores e os ataques pós-eleição, até a minuta do golpe encontrada com o ex-ministro Anderson Torres.

Relembre como Bolsonaro, saudosista da ditadura militar (1964-1985), flertou com o golpismo e fez declarações contrárias à democracia durante todo o seu mandato na Presidência, e como a reunião com embaixadores, em julho de 2022, não foi um caso isolado..

1) ATAQUES A URNAS E AO TSE

  • Ao longo de seu mandato, a principal estratégia de confronto do presidente foi a de questionar a segurança das urnas eletrônicas, sistema usado desde 1996 e considerado eficiente e confiável por autoridades e especialistas no país.
  • Ele nunca apresentou provas ou indícios para questionar as urnas, mas repetiu o discurso golpista, visto como uma tentativa de esconder problemas do governo, a alta reprovação e as pesquisas que o colocavam atrás do hoje presidente Lula (PT).

2 ) ATAQUES A MINISTROS DO STF

  • O STF foi alvo preferencial de Bolsonaro ao longo do mandato. Ele usou termos como “politicalha”, “acabou, porra”, ligação com PT, ativismo e militância, em ataques que se intensificaram a partir de 2020, com a pandemia da Covid-19.
  • Em março de 2022, em uma mesma cerimônia no Planalto, defendeu a ditadura militar e disse para ministros do STF calarem a boca.
  • “E nós aqui temos tudo para sermos uma grande nação. Temos tudo, o que falta? Que alguns poucos não nos atrapalhem. Se não tem ideias, cala a boca. Bota a tua toga e fica aí. Não vem encher o saco dos outros”, disse.

3) ELOGIOS À DITADURA

  • Saudosista da ditadura militar (1964-1985), Bolsonaro reiterou ao longo de anos sua tendência autoritária e seu desapreço pelo regime democrático. Ele negou a existência de ditadura no Brasil e se disse favorável a “um regime de exceção”, afirmando que “através do voto você não vai mudar nada nesse país”.
  • Em uma entrevista em 1999, quando ainda era deputado, o político disse expressamente que, se fosse presidente, fecharia o Congresso. “Não há menor dúvida, daria golpe no mesmo dia! Não funciona! E tenho certeza de que pelo menos 90% da população ia fazer festa, ia bater palma, porque não funciona”, afirmou.
  • Já na Presidência, em 2021, ele deu a entender que não poderia fazer tudo o que gostaria por causa dos pilares democráticos. “Alguns acham que eu posso fazer tudo. Se tudo tivesse que depender de mim, não seria este o regime que nós estaríamos vivendo. E apesar de tudo eu represento a democracia no Brasil”, afirmou em uma formatura de cadetes.
  • Antes disso, ao longo de 2020, Bolsonaro participou de manifestações que defendiam golpe militar.

4) 7 DE SETEMBRO GOLPISTA

  • No 7 de Setembro de 2021, em discursos diante de milhares de apoiadores em Brasília e em São Paulo, Bolsonaro fez ameaças golpistas contra o STF, exortou desobediência a decisões da Justiça e disse que só sairia morto da Presidência da República.
  • Já no 7 de Setembro de 2022, diante de milhares de apoiadores na Esplanada dos Ministérios, discursou em tom de ameaça contra outros Poderes, com citação crítica ao STF.

5) CRISE INSTITUCIONAL DE 2021

  • Bolsonaro manteve durante o seu mandato um discurso em que, sem nenhuma prova, colocava dúvidas sobre o sistema eleitoral. Em várias ocasiões, deu a entender que não aceitaria outro resultado que não seja a sua reeleição. Isso provocou forte crise institucional em 2021.
  • A ameaça mais forte ocorreu em julho daquele ano. “Eleições no ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, declarou a apoiadores.
  • No dia seguinte, reforçou a ameaça e afirmou que a fraude eleitoral estava no TSE. Bolsonaro ainda atacou o então presidente da corte eleitoral e ministro do STF, Luís Roberto Barroso, a quem chamou de “idiota” e “imbecil”.
  • “A fraude está no TSE, para não ter dúvida. Isso foi feito em 2014”, declarou o mandatário, repetindo a acusação infundada de que o então candidato Aécio Neves (PSDB) teria vencido o pleito contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

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