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Genética aumenta riscos de se tornar dependente de álcool e cigarro

Cientistas identificam quase 4 mil genes relacionados a uma maior probabilidade de uso abusivo das substâncias. Das variantes descobertas, 80% são comuns a indivíduos de diferentes origens demográficas

O uso de álcool e tabaco está associado a 15% e 5% das mortes em todo o mundo, respectivamente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, há forte relação entre esses dois hábitos e doenças como câncer e enfermidades cardiovasculares. Fatores ambientais e culturais contribuem para a probabilidade de um indivíduo se tornar dependente, mas a genética tem um peso forte, de acordo com um estudo publicado na revista Nature. Os cientistas identificaram quase 4 mil variantes que podem aumentar o risco de tabagismo e alcoolismo. A expectativa dos autores é de que a pesquisa contribua para uma maior compreensão desses comportamentos.

Esse é o maior estudo genético realizado até agora com foco em variantes de risco para cigarro e bebida alcoólica. Os autores avaliaram dados de 3,4 milhões de pessoas de ancestralidades diversas — africana, asiática, americana e europeia. “A amostragem aumenta a relevância das descobertas, pois se refere a uma população diversificada”, destaca um dos autores, Dajiang Liu, do Centro de Saúde Pública da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

O estudo foi conduzido pela Universidade de Minnesota e contou com a colaboração de mais de 100 instituições. Os pesquisadores avaliaram, dentro da população estudada, diversos traços indicativos de tabagismo e alcoolismo, como a idade em que o hábito começou, a regularidade e a quantidade consumida.

Com técnicas de aprendizado de máquina, eles identificaram os genes associados. Oitenta por cento das variantes eram comuns, independentemente da ancestralidade, diz o artigo. “Isso é promissor, porque ter dados mais robustos e diversificados sobre esses comportamentos nos ajudará a desenvolver ferramentas preditivas de fatores de risco que podem ser aplicadas a todas as populações”, diz Liu.

Segundo o pesquisador, dentro de dois a três anos, as pontuações de risco genético podem ser refinadas e se tornar parte do atendimento de rotina para indivíduos já identificados por triagem básica como estando em probabilidade aumentada de uso de álcool e tabaco. Ele observa que a pesquisa é um exemplo de como big data, máquinas sofisticadas e métodos de aprendizagem podem ajudar a prever riscos à saúde, ajudando a desenvolver intervenções direcionadas.

De acordo com Liu, pesquisas futuras vão aprofundar as descobertas. Algumas variantes identificadas afetam reações químicas celulares associadas à transmissão do glutamato, que tem implicação na comunicação, na memória e no aprendizado; à dopamina, um neurotransmissor associado ao sistema de recompensa do cérebro; e à acetilcolina, substância que ajuda a ativar músculos, entre outras.

Porém, a maioria dos genes que a equipe identificou tem funções desconhecidas. Por isso, os cientistas precisam, primeiramente, compreender para que servem e como sua interação com o ambiente afeta o risco de comportamentos associados à dependência química.

Fonte: CB

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