Para que todos tenham vida!
O inverno que se vai,
Na real não o foi.
A pouca chuva que cai,
Mata, não, a sede do boi!
O casaco ficou no armário.
O pó nele também.
Fuligem de queimadas, um adversário,
Tomou-nos de assalto como refém.
O que a natureza vem gritando,
Ouvidos surdos não desejam ver.
Motosserras e machados vão derrubando
O verde da vida em nome do ter.
O rio que se arrasta maltrapilho,
Deita pernas e costas no raso.
Antes caudaloso, ora pródigo filho,
Mendiga atenção do oleiro ao vaso.
Os animais silvestres sentem na pele
A caçada humana que transpira coragem.
Multas e detenções não são o que impele
À tomada de consciência da negra voragem.
Primavera, das quatro é a primeira.
Embora seja setembro, é estação das flores.
Atenda a raça ingrata, no aperto, rezadeira!
Depois das nuvens aliviadas, cante De Colores.








