A favor dos contras

Do poço vais ao palácio,
Sendo sensato e determinado.
O ianque, ignorante da flor do Lácio,
Lenhador, à Presidência foi guindado.
Sorte dele, um trabalhador rural,
Criança, ainda, na orfandade maternal!
O outro, sujeito oculto,
Caçula foi de pais idosos.
Sua distinção lhe deu vulto,
Superando os dez invejosos.
Poupado do serviço agrário,
Do conhecimento se fazia operário.
Aquele pirralho americano
Teve que ser camponês, balconista.
O chefe de correios, republicano,
Tinha vias em sua vista.
O pouco que teve de estudo
Habilitou-o um sábio agudo.
Volta ao menino dos olhos de Jacó,
Fruto de obra do extraordinário!
Sabia obedecer como ele só.
Amar ao outro era seu abecedário.
A ingenuidade de sua personalidade
Aos irmãos pareceu brecha de crueldade.
Nesse ponto, a eles sobrava ódio,
Colaterais que sentiam a concorrência.
O protegido, coitado, desconhecia pódio,
Por não ter faltado à obediência.
O destruidor sentimento da discórdia
O garoto suportava por misericórdia.
Não se formou onirólogo.
Entretanto, interpretava sonhos.
Seu dom de espiritual biólogo
Aos outros encheu de vazios medonhos.
Olha o que um diferenciado tratamento
Provoca em almas cheias de lamento!
A solução definitiva e breve
Costuma vir na foice da morte.
Negociaram o privilegiado, de leve,
Com sangue e pratas, à conta de sorte.
O tiro saiu pela culatra
A paleta entrou como alcatra.

O autodidata ultrapassou dificuldades.
Conservador, agiu como reformador.
Era Abraham Lincoln, sem faculdades,
Dos escravos compatriotas, um libertador.
Guerreou com armas e discursos
Advogou a liberdade dos sem recursos.
E o menino vendido parou no Egito.
A inteligência tinha traços misteriosos.
Traduziu os pesadelos do Faraó aflito,
Profetizando anos de miséria e gloriosos.
O seu comprador e senhor real
Bateu continência ao seu governador geral.
A injusta prisão conheceu José
Por rejeitar as delícias sexuais.
Por não trair o amigo e Javé,
Exemplo é de servo nos dias atuais.
Os dons e talentos são teus?
Precisam estar à disposição de Deus!








