Invasão do Tempo

Depois da cruz e da ressurreição, voltou para sua glória,
Levando consigo as marcas dos sofrimentos, por memória.
Um dos anjos lhe teria abordado, sagazmente:
– Os homens, lá embaixo, o fizeram sofrer terrivelmente!
Como curioso provocador, quis saber mais.
– Eles sabiam que os tirou do caos, dando-lhes o cais?
Jesus, objetivo e direto, respondeu com deixa negativa.
Sabia que seu Evangelho não era como planta nativa.
Segue alfinetando o angelical relato especulativo.
O que Ele teria feito para dar, ao Verbo, substantivo?
Reportou-se à comissão dada a Pedro, Tiago e a João.
– Cabe a esses contar sobre Mim a toda e qualquer nação.
A dúvida tomou ar porque o anjo viu a pobreza dos homens,
Que O tendo traído de perto, se guiariam por seus abdomens.
A fala da desconfiança da capacidade do trio inicial
Mais servia ao egoísmo do religioso que ao serviço celestial.
Apostava o ser espiritual no desânimo do apostolado,
Enquanto os planos de Cristo estavam em quem tinha apostado.
Contou com aqueles na pregação de suas boas novas.
Seus sucessores marcham pela fé, embora as provas.
Deve ser porque o evangelho cria um mundo diferente,
No qual a autoridade maior é um Deus-Rei, que já se fez gente.






