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Polícia indicia ex-padre por violência sexual contra 3 monges em Monte Sião

A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou nesta quarta-feira, 19, o ex-padre Ernani Maia dos Reis, fundador do Mosteiro Santíssima Trindade, na cidade de Monte Sião (MG). Ernani foi indiciado pelo crime de violência sexual mediante fraude contra três monges do mosteiro entre os anos de 2011 e 2018. A notícia do indiciamento foi dada ontem pelos jornalistas da UOL Maria Carolina Trevisan e José Dacau, responsáveis pelo trabalho jornalístico e reportagens que culminaram no documentário “Nosso Pai” cujo conteúdo revelou os abusos cometidos pelo ex-padre e que serviram de base para a abertura de inquérito pela polícia mineira.

De acordo com a reportagem, Ernani negou as acusações no dia 7 de dezembro em depoimento dado ao delegado de Monte Sião, Daniel Leme Amaral. De acordo com o depoimento, o ex-padre alegou que as relações foram consentidas “entre homens adultos e não configurariam abuso de sua parte”. Ainda segundo a reportagem, a investigação concluiu que Ernani cometeu contra três vítimas o crime previsto no artigo 215 do Código Penal brasileiro: “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima.” A pena prevista é de dois a seis anos de reclusão.

A reportagem da UOL informou que tentou contato com ex-padre sem sucesso e também com o advogado João Humberto Alves, que afirmou que a defesa “pretende se manifestar apenas nos autos”.

Agora, o relatório do delegado será encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais, que decidirá pelo arquivamento ou oferecimento da denúncia à Justiça. Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, será instaurada uma ação.

O caso

Afastado da igreja desde 2018, o ex-padre Ernani Maia dos Reis, de 53 anos, é acusado de abusar sexualmente de pelo menos oito monges na cidade de Monte Sião (MG). Fundador e líder do Mosteiro Santíssima Trindade e criador da formação espiritual chamada “Caminho de Emaús”, o homem, de acordo com uma extensa matéria divulgada pelo UOL em setembro de 2021, estava morando e atuando como psicólogo em Franca.

Na matéria, que ouviu mais de 40 pessoas, entre vítimas, testemunhas e fontes da igreja, são divulgados depoimentos de monges que afirmam terem sido abusados sexualmente. Outras onze pessoas também teriam sido vítimas de abuso moral, por meio de humilhações e agressões verbais. Leiam mais sobre o assunto aqui.

, foi acusado de abusar de 19 monges –  com oito deles o abuso foi sexual. A acusação foi feita em uma longa reportagem publicada pelo UOL na manhã desta quinta-feira. Segundo a matéria, após se desligar da Igreja Católica em 2018, Ernani se mudou para Franca e passou a atuar como psicólogo em uma clínica no Centro da cidade. 

Segundo a matéria do UOL, que conta com depoimentos das vítimas, enquanto atuou como líder do mosteiro, de 2011 a 2018, Ernani praticou abusos contra os monges que vivam no local em regime de clausura e castidade. Além de abuso sexual, o ex-padre também é acusado de abusar moralmente de 10 monjas e de um monge.

Em 2018, quando algumas das vítimas chegaram a denunciar o padre à Diocese de Pouso Alegre, que responde por Monte Sião, Ernani pediu para se afastar da igreja, alegando “crise vocacional”. Logo depois, ele teria sido internado em uma clínica na região metropolitana de Curitiba até que decidiu largar a batina definitivamente. Na sequência, ele se mudou para Franca.

O mosteiro na cidade de Monte Sião é muito conhecido pela comunidade católica de Franca, principalmente da comunidade Tenda que, com frequência, realizava visitas à cidade mineira em busca de contato com os monges. Centenas de pessoas de diferentes partes do Brasil visitavam o local todos os finais de semana.

Alessandro Macedo

É jornalista e editor da Folha de Franca

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