Muito prazer!

A ligar o consciente e o inconsciente,
Instrumento de materiais diversos se usa.
Vontade e prazer, frente a frente,
Abrem o debate moral que acusa.
Ações que se empreende como critério,
Uma das faces é nota do prazer;
Da banda inversa, sendo o puerpério,
O seu bem supremo induz o sofrer.
Para o grego Aristipo, riquinho,
Ética que vale é a que atinge um fim.
O gozo dos prazeres imediatos, o caminho
De carnavais em que se é Arlequim.
Sua escola filosófica de outra era,
No prazer não via bem ou mal.
Mudando de posição se houvera
Se vacinado da dependência incondicional.
Nesse pêndulo de dúvidas constante,
A que sorte se dispõe a vontade?
O alvo moral da felicidade amante
De compromisso carece pela volatilidade.
Felicidade é efeito químico do prazer!
Os devaneios das lembranças do passado,
A estimulante esperança do futuro viver,
Esvaziam-se no gozo do instante aproveitado.
Atitudes e qualidades grávidas de sentimentos,
Pela perspectiva do amoroso Deus Criador,
No parto das nuances dos pensamentos
Declaram sua filiação no cartório do amor.







