Luzes e ações: Luizinho

Respeitava-me.
Atrevidamente, a mim chamava de mestre.
Talvez se esquecesse que animei noites, como DJ, na agitada danceteria Tio Sam, contratado por ele. A fome se juntava à vontade de falar, digo, comer.
Dividiu-se, desigualmente, com o tempo, entre a arte e a cultura, a música, pelo promoter nato que era. Ao Direito se rendeu, mas no exato cálculo para não trair aquelas.
Ser conhecido pela manchete desta Folha de Franca como o Rei das Noites Francanas é identificá-lo por sua vocação que nada diz com paletó e gravata. É empurrá-lo para os camarins, estúdios e palcos impregnados de boêmia, cheiro de fumaças, sprays, perfumes, lascívias, pela agudeza de seu olhar de coruja, e que, nas asas peludas de morcego, podia ver a real de cabeça para baixo.
Notívago, a ecolocalização o levava ao que lhe alimentava.
À moda, ainda, desse vampiro voador (feio e que mete medo, perdão!), Luizinho Teles tinha o som para se comunicar, falando pouco, sorrindo, na boca dos guichês horríveis e insensíveis do Fórum, trocando ideias e experiências de suas demandas judiciais.
Vejo, agora, o que não via antes, sinais de alerta, tantos inaudíveis à minha sensibilidade auditiva e de tato.
Não o via com namoradas, família, com muita gente. Eu, pelo menos, não.
Cruzamos vezes e vezes nas adversidades dos adversários que os processos geram.
A afabilidade e o respeito que emanavam dele convenciam-me de nossa amizade de raízes cobertas pela terra da discrição.
Ninguém sabe do quê o cara do Tio Sam morreu. Natural que assim se desse. O artista-causídico dava-se a ser solitário e, a estar no coletivo, se este estivesse na rota de seu voo.
Sobe o som, galera!
Questão de ordem: estamos de luto.
por Théo Maia








