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Após décadas de espera, vilas de Pedregulho terão água tratada e novo sistema de esgoto com investimento de R$ 23 milhões

Obras da Sabesp vão beneficiar cerca de 1,5 mil moradores das vilas do Estreito e Barreira; redes de água e esgoto devem entrar em operação em 2026 e ampliação da estação de tratamento será concluída em 2028

Uma espera que atravessa gerações começa a chegar ao fim para cerca de 1,5 mil moradores das vilas do Estreito e Barreira, em Pedregulho. Com tubulações antigas, problemas no abastecimento e soluções precárias para o esgoto, as duas comunidades estão recebendo mais de R$ 23 milhões em obras para implantação e modernização dos sistemas de água e esgotamento sanitário.

As intervenções são realizadas pela Sabesp e fazem parte do programa Universalização do Interior. Ao todo, 1.505 moradores serão diretamente beneficiados.

As obras começaram em julho. Uma primeira etapa, envolvendo os novos sistemas de abastecimento de água e redes de esgoto, tem previsão de conclusão até dezembro de 2026. Já o projeto completo, que inclui a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Primavera, deverá ficar pronto em setembro de 2028.

Comunidade nasceu com a construção da usina

A Vila do Estreito carrega uma história diretamente ligada à Usina Hidrelétrica de Estreito.

A comunidade foi formada na década de 1960 para receber trabalhadores envolvidos na implantação e operação da usina, nas proximidades da divisa entre São Paulo e Minas Gerais.

Mais de seis décadas depois, parte da infraestrutura que atende os moradores já não acompanha as necessidades atuais.

Um deles é Donizete Rodrigues, de 70 anos, que chegou ao Estreito em 1965, quando tinha apenas 9. Seu pai, avô e tios trabalhavam na represa. Mais tarde, ele próprio trabalhou durante 32 anos em Furnas.

Donizete Rodrigues mora no bairro Estreito desde os 9 anos e espera há décadas por melhores condições de saneamento: “Agora vamos ter água limpa e todos os dias” I Foto: Divulgação Sabesp

Donizete conta que a comunidade convive atualmente com uma tubulação de ferro que tem mais de meio século.

“Você abre a torneira, a água desce com barro, com ferrugem. Há muitos vazamentos fora das residências e falta muita água para as famílias aqui.”

Para o morador, a implantação do novo sistema representa uma das maiores mudanças vividas pela comunidade nas últimas décadas.

“Agora vamos ter água limpa e todos os dias.”

Novo poço e 8,5 quilômetros de rede de água

As obras de abastecimento receberão aproximadamente R$ 4,2 milhões.

Na Vila do Estreito, será implantado um novo poço e uma Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT). O reservatório existente será revitalizado e serão instalados 8,5 quilômetros de rede de distribuição.

A estrutura permitirá aumentar a capacidade de captação, armazenamento e distribuição da água.

Na Vila Barreira, o poço utilizado atualmente será desativado. Depois das intervenções, os moradores passarão a receber água a partir do reservatório da Vila do Estreito.

A previsão é que essa parte do projeto seja concluída até dezembro deste ano.

Esgoto deixará de depender de tanque coletivo e fossas

A mudança também será significativa no esgotamento sanitário.

Atualmente, segundo a Sabesp, a Vila do Estreito utiliza um tanque coletivo para tratamento do esgoto, com lançamento posterior no rio. Na Vila Barreira, os moradores dependem de fossas.

O projeto substituirá essas estruturas por um sistema de coleta, transporte e tratamento dos efluentes.

Somente nessa frente serão investidos mais de R$ 18,8 milhões.

Estão previstas cinco Estações Elevatórias de Esgoto (EEEs) e 15,7 quilômetros de tubulações e redes coletoras. Essa estrutura deverá estar concluída e liberada para operação até dezembro de 2026.

A última etapa será a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto Primavera, com conclusão prevista para setembro de 2028.

Com o novo sistema, o esgoto gerado nas residências será coletado e encaminhado para tratamento antes da disposição final no meio ambiente.

Obra também terá impacto ambiental

Pedregulho está inserido na bacia hidrográfica do Rio Grande e seus afluentes. Por isso, além dos impactos sobre a saúde e a qualidade de vida dos moradores, a implantação da rede de esgoto tem importância ambiental.

A expectativa é reduzir o lançamento inadequado de efluentes e, consequentemente, os riscos de contaminação do solo, lençol freático e cursos d’água.

Durante visita às obras nesta terça-feira (25), o gerente regional da Sabesp, Gilson Santos de Mendonça, afirmou que acompanhou durante anos a reivindicação dos moradores.

“São mais de R$ 23 milhões de investimento para fornecer água tratada, coletar e tratar o esgoto. Serão 1.500 pessoas atendidas, que terão mais dignidade, saúde preventiva e qualidade de vida.”

Para Donizete, depois de mais de 60 anos acompanhando a história do Estreito, a dimensão da mudança é mais simples de traduzir: significa poder contar diariamente com água de melhor qualidade e dar um destino adequado ao esgoto produzido pelas famílias.

“É uma mudança que a comunidade esperava há muito tempo.”

Notícias de Franca

É jornalista e editor da Folha de Franca

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