A provisão está no deserto
"Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda." (Gênesis 2:18)

O Supremo Criador sabia desde antes do ontem e do que será depois do futuro, o que é bom para a obra-prima de todas as empresas de suas mãos e de suas ordens, a partir do nada.
Aos vinte e seis anos de idade, meu Éden me acrescenta a companhia perfeita. Uma família viria em formação dali. O Theozinho estava a caminho. Os desejos sobejos falaram alto. O amor pela namorada Arlete nos convolou em marido e esposa; mulher seria termo desprovido do senso de igualdade e de respeito, que têm a cola inexcedível de uma união de sonhos, planos sensatamente cogitados e da edificação conjunta dos nubentes.
A solteirice e as desventuras das aventuras cederiam lugar ao equilíbrio e à responsabilidade de bons pais de família.
A lua de mel ficou pela viagem a Goiânia, seguinte à solenidade civil das duas da tarde, no cartório da Voluntários da Franca, em plena quinta-feira. Testemunharam poucos o que se tornou sabido de incontáveis.
Um se fez dois. Dois se fizeram três, quatro meses depois. Quem tem pressa, come …
Ainda me vem à memória, com um doce e frisante paladar, a champanha que, ao cruzar de braços e mãos, para fazermos o romântico movimento, a minha taça de cristal, com alguma microfissura, deu de vazar o seu conteúdo, derramando-se sobre nossas roupas, em meio aos íntimos na sala-copa da residência dos inigualáveis sogros Apparecida e Alceu, para o delírio de todos com o mico do nosso excesso de sorte.
O paraíso é a porta do deserto. Para sair e voltar. Muitos não voltam.
A caminhada épica do matrimônio estava posta. Os primeiros passos ainda ouvimos no palmilhar os solos dos desafios da instituição de um lar, por humilde que fosse. Para nós, um dormitório cedido pelos mesmos e bondosos sogros.
Tínhamos que sair para chegar.
Quem casa quer casa. Na verdade, precisa de um lugar para chamar de seu e dos seus, dos que chegariam.
A nossa terra prometida nos libertaria da dependência direta ou indireta dos nossos pais e parentela chegada, o único asilo inviolável de nascidos de mulher. O mais, é letra para compor norma constitucional programática irrealizável.
A liderança desse êxodo seria e foi nossa, mútua e conivente, com as concessões que quem ama pode carimbar de sacrifícios pessoais:
“Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe.” (Mateus 19:6)
Pragas não nos assolaram; perigos, sim.
Provações nunca nos esqueceram. Deus, menos ainda.
A certa altura, perto de algum poço – um daqueles que Agar não via, que estava do seu lado, no deserto que faria perecer seu filho de sede -, novo manancial o Senhor, por seu Santo Espírito, nos enviou. Chegava a Ana Emília.
Já erámos quatro.

Quantos mares ainda teríamos que atravessar a pé enxuto, se tivéssemos fé bastante, acampavam nos mistérios da existência.
A média altura da peregrinação familiar, o pouco foi ao nada. O outono avisaria que o inverno seria rígido. Tínhamos que hibernar, mas não adormecer. Os compromissos com a vida profissional e os cuidados com a criação e educação dos meninos, que a esposa jamais terceirizou, conquanto com a colaboração de anjos presentes na retaguarda, não negligenciamos. Praticamos a renúncia. Abdicamos dos nossos interesses em favor da formação dos filhos. Sobrevivemos.
Tínhamos a convicção de quem era o guia em todas as nossas sagas, que dariam segas. E deram.
No avançar da terça parte da jornada em família, um Sinai dava sinais de prosperidade e de notícia de difícil explicação. Lorenzo, no paradoxo do dia 2 de novembro, chegava arauto de que finados irão à ressureição e que ele já era o mais amado, com perdão da palavra. Avôs devem ter direito a algum excesso, que não pode ser idolatria.
E eis que, em meio a superações daquilo que não convinha e que mais nos requeria esperança nesta travessia, fui literalmente sacado de uma UTI em 2016 e, Arlete, minha plena metade, no curso da pandemia do coronavírus, fomos chamados a conhecer o Rio Jordão, com o Mar Vermelho deixado às costas, no batismo em águas, como testemunho de que cremos que Jesus é caminho, a verdade e a nossa vida; nossos filhos o fariam, na imersão no templo-sede da Assembleia de Deus de Franca, em águas que purificam e transformam o velho em novo.
Nossa Canaã foi conquistada hoje, aos 17 de julho de 2026. São quarenta anos de vida a dois, e com os nossos parentes, Cordeiros. Pedigones e as extensões de Melo e Vaz.
Para a alegria comercial, completamos Bodas de Esmeralda. Espiritualmente, rendemos adoração e gratidão a Deus pelo maná, água, leite e mel que nunca nos faltaram e que, por sua infinita misericórdia, refaz sua aliança comigo, Arlete e todos os que são alcançados pelo nosso amor e orações.
No verde da esmeralda é que encontramos o valor precioso e raro do amor do Senhor, o fiador voluntário do nosso amor.
Arlete:
– a você, bem, com todo o meu amor!
Théo Maia
17/07/2026, às 11h11







