Uma jornada de investigação artística: Fabio Swartele propõe reflexão profunda através do cinema experimental

O cenário cultural e acadêmico ganha um capítulo de extrema relevância com o mais recente projeto de investigação artística do diretor, designer e artista visual Fabio Swartele. Conhecido por sua capacidade de tensionar as fronteiras da linguagem visual, Fabio traz a público uma proposta que mergulha nos conceitos de imagem, fotografia, cinema, memória e arquivo.
O cerne de seu trabalho estrutura-se em torno da tríade conceitual “rara memória ou vaga lembrança”, que serve como o principal objeto de estudo de sua produção recente. Esse percurso investigativo é perfeitamente sintetizado na expressão “tempo bruto tropical”, um amálgama que resume o espírito e os títulos de seus três filmes: o curta Tempo de Esquecer Formas de Lembrar (2023), o média Bruttissima (2024) e o longa Paraíso Tropical – Álbum Duplo Visual (2025).
Uma Trilogia de Começo, Meio e Fim — Com Liberdade de Percurso
Concebida sob a lógica de uma trilogia tradicional — representando um claro movimento de “início, meio e fim” —, a obra expandida de Fabio Swartele traz, contudo, a liberdade intrínseca ao cinema experimental. Embora o conjunto componha uma unidade coesa, não é obrigatória a visualização de todos os filmes em sequência para que se absorva a potência do projeto.
O terceiro e mais recente trabalho, o longa Paraíso Tropical, reflete perfeitamente essa autonomia ao ser dividido em 21 fotofilmes independentes. Essa estrutura fragmentada permite que curadores, pesquisadores e o próprio público escolham temas específicos para exibições e análises individuais. Trata-se de uma escolha consciente, uma vez que a linguagem do cinema expandido adotada por Fabio é, por vezes, densa e pesada, exigindo do espectador um certo repertório cultural e histórico para a completa decodificação de suas camadas.
Estética do Confronto: Arquivo, Ironia e o Espectador Ativo
A força plástica do cinema-ensaio de Fabio Swartele reside no cruzamento cirúrgico de variados tipos de arquivos fotográficos e filmográficos. A este rico material de arquivo, o diretor introduz elementos ficcionais e promove deslocamentos precisos das vozes — sejam em entrevistas, depoimentos ou manifestos —, utilizando de forma refinada o uso irônico e sarcástico do discurso.
Longe de se apoiar em trilhas sonoras meramente ilustrativas, é a própria plástica visual que molda a arquitetura sonora dos filmes. Essa inversão metodológica propõe ao espectador não a entrega de uma narrativa fechada ou mastigada, mas a produção de um campo instável de recepção audiovisual. Diante da tela, o público é constantemente provocado, desestabilizado e, fundamentalmente, convocado a assumir uma posição analítica e ativa diante das imagens e da história.
Programe-se: Exibição e Debate
Para quem deseja vivenciar e debater essa densa experiência estética e política, o projeto terá um momento de destaque nesta semana:
📅 Quando: Terça-feira, 9 de junho
⏰ Horário: 19h
📍 Onde: FAMEF
Uma oportunidade imperdível para entrar em contato com a vanguarda do audiovisual e discutir os sulcos da nossa memória coletiva através do olhar rigoroso de Fabio Swartele.






