Polícia

Justiça de Franca torna réu médico oftalmologista de 80 anos acusado de estupro de vulnerável

A Justiça de Franca (SP) tornou réu o médico oftalmologista Luiz Antônio Santana de Figueiredo, de 80 anos, acusado de estupro de vulnerável contra uma adolescente, que à época dos fatos tinha 6 anos de idade e era enteada de seu filho.

Segundo a denúncia, os abusos teriam ocorrido em 2016, em uma chácara localizada no Jardim Zanetti, em Franca. O caso só veio à tona anos depois, quando a vítima decidiu relatar os fatos à avó paterna, que detém sua guarda. Hoje a adolescente tem 16 anos.

A denúncia foi formalizada há cerca de dois anos, após a avó, ao tomar conhecimento do relato da neta, registrar boletim de ocorrência e procurar o Ministério Público. O inquérito policial, com mais de 108 páginas, foi instaurado pela delegada Juliana Paiva, na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Franca.

Impactos psicológicos

De acordo com o inquérito, o abuso teria causado profundos impactos emocionais na adolescente, que passou a apresentar crises de ansiedade, mudança brusca de comportamento e dificuldade de contato físico com figuras masculinas, inclusive com o próprio pai.

Somente após tratamento psicológico prolongado, a adolescente conseguiu relatar detalhadamente os fatos, tanto por escrito quanto em meio digital, à avó paterna. O relato também teria sido compartilhado com outros familiares próximos.

Investigação

A avó paterna, que é advogada, reuniu documentos e levou o caso ao Ministério Público, que solicitou a abertura do inquérito policial na DDM de Franca. A investigação foi conduzida sob supervisão do promotor de Justiça Claudemir Aparecido de Oliveira e do delegado seccional Wanir José da Silveira Junior.

Após diligências, o inquérito foi concluído e encaminhado ao Fórum de Franca, culminando na decisão judicial que aceitou a denúncia e tornou o médico réu, dando início à ação penal.

Médico nega acusações

Em depoimento prestado na DDM em 29 de agosto de 2024, Luiz Antônio Santana de Figueiredo negou todas as acusações. Ele afirmou que nunca praticou abuso sexual, disse ter sido surpreendido pela denúncia e alegou que sempre esteve acompanhado da esposa nos períodos em que frequentava a chácara.

O médico também declarou que sempre manteve conduta profissional e pessoal ilibada ao longo de seus 50 anos de carreira, negou qualquer comentário inadequado e afirmou possuir limitações físicas que o impediriam de pegar crianças no colo.

Pai cobra justiça

Em entrevista concedida em setembro de 2024 ao repórter Alexandre Silva, o pai da adolescente, um empresário de 44 anos, afirmou ter ficado profundamente abalado com o relato da filha e disse confiar que a Justiça será feita.

O processo segue em tramitação na Justiça de Franca.

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