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De faxineira a futura professora: aos 47 ela descobriu que queria estar do outro lado, ensinando

Nascida em uma família humilde na cidade de Franca (SP), na Vila Rezende, Alessandra Fernandes da Silva, carinhosamente chamada por todos de Naná, está transformando a própria história com coragem e determinação. Após uma infância marcada por violência doméstica, pobreza e luto precoce, e uma adolescência difícil, ela guardou os próprios sonhos em silêncio por muitos anos — mas eles não morreram. Criou os filhos, enfrentou batalhas pessoais e, aos 47 anos, decidiu retomar o que a vida havia adiado: voltou a estudar e hoje está no 5º semestre do curso de Pedagogia

Com lembranças fragmentadas do pai — descrito como agressivo e dependente do álcool — ela viu a mãe se esconder para sobreviver e criar, sozinha, duas filhas após a morte do marido. “Minha mãe já dormiu no mato para fugir das agressões. Ela foi tudo pra gente”, conta.

Na juventude, Naná enfrentou a maternidade solo e os desafios de criar dois filhos sozinha, antes de reencontrar o amor e ampliar a família para quatro crianças. Em 2007, superou ainda um câncer no útero. Foi depois disso, e com os filhos já crescidos, que ela se viu diante de um desejo antigo — o de estudar.

“Eu achava que estava velha demais para isso. Mas quando comecei a trabalhar como auxiliar de limpeza em uma escola, me deu vontade de estar do outro lado, ensinando”, diz Naná. Ela se matriculou em Pedagogia e, como está desempregada, tem financiado seus estudos vendendo pimentas artesanais.

Hoje, sonha alto: quer concluir a graduação e seguir para uma segunda faculdade — Ciências Políticas ou Gestão Pública. “Não é fácil, mas parar não é uma opção”, afirma.

Sua história ecoa a de tantas outras mulheres brasileiras que começam a estudar mais tarde, não por falta de vontade, mas por ausência de oportunidade. E mostra que recomeçar depois dos 40 não é o fim da estrada — é o começo de uma estrada nova.

Joelma Ospedal

Joelma Ospedal é jornalista, escritora e apaixonada por comunicação

Um Comentário

  1. Naná é uma guerreira, determinada, está é uma história real, que é de muitas mulheres, esta aí um exemplo para não desistam de seus sonhos…

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