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Da Globalização financeira

A globalização financeira entende-se como a relação de pessoas, empresas e governos, em um procedimento integralizado dos mercados financeiros em todo mundo. De modo que, seja possível operar em diferentes locais independente de sua localização geográfica. Parece ser um ideal perfeito, do ponto de vista teórico dado sua aparência de fluidez e de liberdade. No entanto, observará quais os efeitos da aplicação na prática.
Cabe dizer que houve uma revolução financeira global nas últimas décadas do século vinte. O mercado financeiro conseguiu mostrar êxito em seu crescimento de forma inédita, sem vinculação com a produção industrial. Sobretudo, desconectado do comércio internacional. As taxas de juros tornaram-se a “atividade meio” do lucro dos investidores.
O professor Gentil Corazza, Titular da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nos esclarece que: “[…] Negócios cambiais, que eram insignificantes em 1960, atingiam um trilhão de dólares diários, o que representa em torno de 40 vezes o valor dos negócios comerciais, em 1990. A partir daí, até os dias atuais, os negócios financeiros e cambiais vêm se desenvolvendo numa proporção e numa velocidade e com uma autonomia, que não guarda mais qualquer relação com as atividades produtivas e comerciais”.
Observa-se que o embrião da globalização financeira teve início na defesa da criação de um mercado mundial de moeda sem uma pátria vinculada. Os seus “advogados” foram os ingleses e americanos que precisavam de acesso a capitais de forma mais fácil sem a intervenção de bancos centrais para operar as atividades financeiras. Este pensamento iniciou na década de 1960 dado ao “déficit” destes países que precisava do acesso facilitado destes recursos. Diante disso, houve a reflexão na criação do euromercado que teve início efetivamente prático décadas mais tarde.
Uma vez criado o euromercado, sabe-se que a elevação do acúmulo de riquezas monetária foi um elemento sem precedente na história do capitalismo. Tem-se conhecimento de que houve a “emissão de dólares necessários para financiar a reconstrução europeia e japonesa e, depois, para cobrir o déficit comercial americano”. Dois fatores que resultaram neste acúmulo foi a crise do petróleo e a crise dos países periféricos do mundo na década de 1970. A elevação da taxa de juros do dólar em 1979 foi preponderante para o acúmulo deste fundo de riquezas.
Na mesma década, houve a defesa e implementação da flexibilidade das taxas de câmbio. Aqui, nasce os movimentos especulativos como ferramenta de elevação ou diminuição das taxas de juros. É a famosa frase, ou melhor dizendo, a defesa do interesse de que “o mercado” deve se regular. Trata-se de outra mola propulsora para a globalização financeira.
Para Moffit (1984: 91), “as taxas de câmbio tornaram -se flutuantes, não por decisões políticas em si mesmas, mas porque ‘governos não eram mais capazes de controlar os movimentos do capital privado’. Muitos economistas defenderam os poderes autorreguladores do câmbio flutuante, mas os resultados foram desastrosos e contrários aos previstos”.
A questão é que nessa tensão entre interesses de governo e mercado, o segundo teve uma leve vitória. Entretanto, causou uma situação de mudanças repentinas baseadas em interesses não comuns. Mas sim de alguns bancos líderes de mercado mundial, jornais financeiros, e de um monte de executivos que emitem pareceres avaliativos de acordo com seus interesses particulares.
Nesse sentido, afirma Vernon (1977) que: “[O] modelo é destinado ao desastre, pois uma simples inquietação nesse reduzido conjunto de informações torna-se fonte de implacável pressão sobre qualquer moeda. (…). Hoje, a especulação cambial é muito mais que um simples jogo que se faz contra os governos para ganhar dinheiro. Ela tem transformado a natureza das relações monetárias internacionais”. (Apud Moffit, 1984: 77 e 91).
Portanto, desde sua criação mostra-se vários efeitos negativos dada a base especulativa sem regulação eficiente. Cabe destacar várias crises financeiras como: a) A crise econômica da Argentina, que ocorreu entre 2001 e 2002 marcada pela quebra do sistema bancário que tem efeitos até hoje; b) Nos anos de 1997 e 1998 a crise asiática que ocorreu uma desvalorização e crise bancária; e, c) mais recente, a crise financeira de 2008 que teve início nos Estados Unidos, com objetivo especulativo se espalhou para outros países. Lembro da emblemática fala do Presidente Lula na época que: “Lá (nos EUA)”, dizia ele na época “ela é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar”. Os efeitos maiores vieram anos mais tarde. A partir de 2010.

REFERÊNCIAS:

CORAZZA, Gentil. Globalização financeira: a utopia do mercado e a re-invenção da política. Disponível em: https://www.anpec.org.br/encontro2003/artigos/A24.pdf. Acesso em: 23 mar. 2025.
TADDEO, Luciano. No aniversário de 20 anos do corralito, crise econômica ainda castiga argentinos. CNN Brasil, 3 dez. 2021. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/no-aniversario-de-20-anos-do-corralito-crise-economica-ainda-castiga-argentinos/ Acesso em: 23 mar. 2025.
GALHARDO, Ricardo. Lula: crise é tsunami nos EUA e, se chegar ao Brasil, será ‘marolinha’. O Globo, 29 set. 2008. Disponível em: https://oglobo.globo.com/economia/lula-crise-tsunami-nos-eua-se-chegar-ao-brasil-sera-marolinha-3825153. Acesso em: 23 mar. 2025.
G1 – ECONOMIA E NEGÓCIOS. Crise da Ásia completa 10 anos. G1, 2 jul. 2007. Disponível em: https://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL62334-9356,00-CRISE+DA+ASIA+COMPLETA+ANOS.html. Acesso em: 23 mar. 2025.

Dione Castro

É administrador de empresa, estudante de gestão empresarial pela Fatec, graduado em direito e um eterno curioso.

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