Lídia Abdala: liderança com propósito, inovação e humanidade à frente do Sabin
Quem vê Lídia Abdalla percorrendo os corredores das unidades do Sabin, com passos serenos, cumprimentando os colaboradores com abraços afetuosos e irradiando simpatia, talvez não imagine que ela é a liderança por trás do Grupo Sabin. Sob sua direção, a empresa se destaca com uma equipe de 7,2 mil profissionais, presença em 14 estados e no Distrito Federal, e 358 unidades de atendimento ao cliente.
Embora sua tranquilidade seja evidente e genuína — qualidade pela qual é amplamente reconhecida — Lídia exibe uma aguçada atenção aos detalhes, comprometida com a excelência em cada aspecto do trabalho. Essa combinação de serenidade e garra estabelece um padrão único de liderança. Ademais, sua personalidade é marcada por inovação, resiliência e uma escuta ativa, qualidades que consolidam sua posição como uma figura inspiradora.
Lídia é farmacêutica bioquímica por formação, natural de Alpinópolis, no sudoeste de Minas Gerais, próximo a Franca, mas residente em Brasília há 26 anos. Sua trajetória acadêmica começou cedo, quando, aos 14 anos, deixou sua cidade natal para estudar. Mudou-se para Belo Horizonte, onde cursou o ensino médio, e mais tarde graduou-se na Universidade Federal de Ouro Preto.
Desde muito jovem, Lídia demonstrava interesse pela área da saúde. Embora inicialmente tenha considerado a medicina, optou pela farmácia. O curso é muito amplo – abrange atuação profissional em drogarias, indústrias, controle de qualidade, análise de água e alimentos, e medicina laboratorial. Mas logo nos primeiros anos da faculdade, ela se encantou pela área de análises clínicas, sua verdadeira paixão.
Foi durante a graduação que conheceu seu marido, engenheiro civil, que se formou um ano antes e mudou-se para Brasília. Ao concluir o curso, Lídia seguiu seus passos e mudou-se para a Capital federal, onde iniciou sua carreira. Apesar de não conhecer ninguém na cidade, começou trabalhando em drogarias e hospitais. Era 1999, e Lídia tinha 25 anos. Alguns meses depois, ela buscou oportunidades em laboratórios. Na época, o Sabin era o terceiro maior da cidade, e após deixar seu currículo, foi chamada para um processo seletivo de trainee para bioquímica. Assim, começou sua trajetória no Sabin, onde permanece há 25 anos.
Durante os primeiros anos, Lídia dedicou-se à área técnica, atuando em imunologia, bioquímica e exames hormonais, enquanto cursava o mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB). Embora sua paixão pela área técnica fosse evidente, ela também se interessava por gestão e liderança, campos que passaram a complementar sua atuação.
Ao ingressar no Sabin, a empresa ainda era pequena, com apenas sete unidades e cerca de 90 colaboradores. O ano de 1999 foi marcante na história da empresa, com a implementação da ISO 9001, o primeiro selo de qualidade do Sabin. Ele fortalecia o desejo das fundadoras, Dra. Janete Vaz e Dra. Sandra Soares Costa, também bioquímicas, que tinham como visão criar uma empresa que fosse benéfica em todos os aspectos: um lugar que entregasse excelência aos clientes, promovesse relações de respeito com os parceiros e fornecedores, contribuísse com as comunidades e cuidasse dos colaboradores.
Em sua trajetória pessoal, Lídia sempre teve grandes exemplos de força e dedicação. Sua mãe, que conciliava trabalho, cuidado com os filhos e gestão familiar, foi uma inspiração, assim como suas tias, que valorizavam a liderança feminina. Seu pai, com seus princípios sólidos de trabalho, ética e integridade, sempre enfatizou o papel da educação como herança. Um homem à frente de seu tempo, ele a incentivou a buscar oportunidades e apoiou sua decisão de estudar fora aos 15 anos, colocando-a no caminho da formação acadêmica e profissional em Ouro Preto. “Meus pais sempre diziam pra mim e para meus irmãos para que estudássemos; que a educação era a herança que deixariam para nós. Também nos incentivaram sempre a construímos uma carreira. E assim fizemos”, conta ela.
Lídia Abdalla é um exemplo de dedicação, de empenho de amor ao aprendizado contínuo. Desde que iniciou sua trajetória no Sabin como trainee, até alcançar o cargo de presidente, nunca deixou de estudar, aprimorar seus conhecimentos e buscar novas formas de se preparar para os desafios do presente e as oportunidades do futuro. Essa mentalidade de constante evolução não é apenas um traço de sua liderança, mas também um reflexo dos valores do Sabin, que ela faz questão de transmitir às novas gerações.
Confira, na entrevista abaixo, um pouco mais sobre esta mulher de 51 anos, mãe do Lucas, de 17, e que lidera com excelência um dos maiores players no setor de medicina diagnóstica do Brasil.
Como você descreve o início de sua trajetória no Sabin?
Considero um verdadeiro presente de Deus ter conseguido uma oportunidade no Sabin logo que cheguei a Brasília. Foi um momento especial na minha vida, e o privilégio de conviver com as doutoras Janete e Sandra, fundadoras do grupo, ao longo desses 25 anos, foi uma fonte inestimável de aprendizado. Elas me ensinaram muito, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal, mostrando a importância de equilibrar a vida pessoal e profissional, cuidar dos filhos sem abrir mão da carreira, tomar decisões com segurança, investir no próprio desenvolvimento e sempre valorizar a inovação—um dos pilares fundamentais do Sabin.

O que diferencia o Sabin de seus concorrentes no setor?
Algo que diferencia o Sabin de seus concorrentes é o nosso modelo de atuação. Enquanto muitos preferem se concentrar nas capitais, por oferecerem uma operação menos complexa, retorno mais rápido e mão de obra mais abundante, nós assumimos o desafio de atuar também em grandes regiões do interior. Apesar das dificuldades, esse modelo nos permite levar saúde de qualidade, com serviços especializados e agilidade na entrega dos resultados, a populações de áreas mais distantes. Esse compromisso reflete nossa essência e propósito como empresa.
Em 2013, com a empresa em crescimento, as fundadoras decidiram fortalecer a liderança corporativa, criando o Conselho de Administração. Em 2014, você assumiu a presidência do grupo. Como foi esse momento?
Foi um momento marcante e desafiador. Assumi a presidência com a responsabilidade de dar continuidade ao crescimento geográfico e de diversificar os negócios. Até 2014, nossa atuação era focada apenas em análises clínicas. Porém, com o avanço da empresa, expandimos para áreas como diagnóstico por imagem, centros de check-ups executivos e startups. Entre os novos negócios estão a Amparo Saúde, uma plataforma de atenção primária, e a Rita Saúde, uma plataforma digital de saúde. Além disso, temos o Instituto Sabin, que é o braço social do grupo, fundado em 2005. Este ano, o instituto celebra 20 anos, enquanto o Sabin comemora 41 anos de fundação.
O Instituto Sabin é uma referência quando o assunto é impacto social. Como ele funciona?
O Instituto Sabin tem sua sede em Brasília e está integrado às nossas unidades, contando com o apoio de voluntários, inclusive, muitos de nossos colaboradores são voluntários no Instituto. Desenvolvemos programas e projetos sociais em parceria com diversas instituições, como hospitais, escolas, asilos, creches e institutos de câncer, atendendo às necessidades específicas de cada cidade. Essa atuação se dá tanto diretamente quanto por meio de colaborações com o poder público.
Um dos projetos que me orgulho em destacar são as ludotecas. Já são mais de 100 espalhadas por todo o Brasil, sendo duas delas em Franca—uma no CREAS e outra na clínica de psicologia do Unifacef. Esses espaços foram pensados para acolher crianças vítimas de violência sexual, proporcionando um ambiente seguro e lúdico, com brinquedos e profissionais capacitados para esse momento delicado.
O que mais o Instituto Sabin oferece em suas iniciativas?
Outro projeto significativo é o Criança Saúde, que viabiliza exames gratuitos em creches, incluindo coleta, realização de exames e acompanhamento médico. Esse programa vai além de simplesmente oferecer exames—ele leva orientação em saúde e cuidado, impactando diretamente as crianças e suas famílias.
Com tantas iniciativas, como você enxerga o papel do Sabin nas comunidades onde atua?
Sempre acreditamos que, além de oferecer serviços de excelência, temos a responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento das cidades onde estamos presentes. Isso significa ajudar as populações mais vulneráveis e atuar de forma que o impacto vá além do setor de saúde. Esse compromisso está em nosso DNA.
O que você destacaria no modelo de atuação do Sabin que o torna único?
Nosso diferencial está nas pessoas. Investimos intensamente na capacitação dos nossos colaboradores, cuidando deles para que eles possam cuidar com excelência dos nossos clientes. Esse compromisso com o desenvolvimento humano e a qualidade dos serviços é um dos pilares que sustenta o sucesso do Sabin ao longo dos anos.
Metade da sua vida você passou no Sabin, ainda assim, você sempre diz que há muito a aprender. Como você se preparou para chegar onde está hoje? Como foi a trajetória de trainee a presidente?
O Sabin sempre me incentivou a buscar novos aprendizados e conhecimentos, o que foi fundamental para minha preparação ao longo dos anos. A empresa oferece uma faculdade corporativa com diversos treinamentos e capacitações, mas também aprendi com as doutoras Janete e Sandra a cuidar da minha carreira de forma ativa e estratégica.
Fiz mestrado em Ciências da Saúde na UnB e, ao assumir cargos de liderança, percebi que precisava aprofundar meus conhecimentos em gestão de equipes. Assim, busquei especializações em Gestão Empresarial e Finanças Corporativas, além de um MBA de Gestão entre 2006 e 2008. Em 2009, assumi a superintendência técnica, o que me levou a buscar conhecimentos adicionais em tecnologia. Também adquiri responsabilidades ligadas ao almoxarifado, ampliando minha experiência em áreas como contabilidade e finanças, para as quais fiz um curso específico.
Quando, em 2013, elas decidiram quem lideraria o grupo, eu sabia que não estava totalmente pronta, mas tinha a bagagem e o conhecimento necessários para assumir e continuar aprendendo. Eu conhecia profundamente a rotina, a operação e a cultura da empresa, e isso me deu uma base sólida para crescer na posição.
Após assumir a presidência, continuei buscando conhecimento e aprimoramento, pois acredito que o aprendizado é constante, especialmente em um mundo marcado por inovação e tecnologia. É preciso preparo, disciplina e humildade para reconhecer que sempre há algo novo para aprender.
Muito se fala sobre a necessidade de se equilibrar a vida pessoal e a profissional. Mas, na prática, como é possível fazer essa equação?
É preciso fazer escolhas e ter um propósito que conecte o pessoal e o profissional. Acredito que é essencial trabalhar com o que se gosta, para que o dia a dia não se torne apenas um sacrifício. Ao longo da minha carreira, precisei fazer escolhas e, em algumas ocasiões, me ausentar da família. Porém, acredito que, na maioria das vezes, essas escolhas foram acertadas. Tenho plena certeza de que estava fazendo algo positivo para as pessoas ao meu redor e para o Sabin, impactando positivamente a vida de muita gente, ao mesmo tempo em que buscava equilibrar os momentos em que podia estar com minha família e me dedicar a ela.
Como você encara os desafios específicos que as mulheres enfrentam?
Nós, mulheres, temos uma habilidade incrível de realizar várias coisas ao mesmo tempo. Porém, essa capacidade também pode gerar sobrecarga. Com o amadurecimento, aprendi a buscar autoconhecimento, a identificar o que me motiva e o que me desanima, e a fortalecer o que me faz bem. Isso é muito importante para manter a autoestima e lidar com os desafios. Hoje em dia ainda é raro ver mulheres em posições de liderança como a minha. É muito comum eu participar de eventos, reuniões, congressos em que sou a única mulher na sala ou há apenas mais duas ou três, num grupo de 20 ou 30 homens. Mas acredito que desenvolver a autoestima é fundamental para se posicionar nesses ambientes e se tornar uma inspiração para outras mulheres.

Como o apoio de sua família impacta sua jornada? Seu filho entendeu bem suas ausências?
Meu marido tem sido um grande companheiro e sempre esteve muito presente na vida do nosso filho. Por ser autônomo e ter maior flexibilidade de horários, conseguimos conciliar nossas agendas. O principal é que nunca houve cobranças por parte deles em relação à minha presença, o que sempre me trouxe tranquilidade. Sempre que tenho a possibilidade, busco estar com eles, mesmo que seja para momentos simples, como ficar em casa.
Eles entendem e respeitam minhas escolhas, e isso é algo muito especial. Meu filho nunca ouviu o pai reclamar da minha ausência, e ele sempre explicou os motivos de forma que o ajudou a entender. Hoje, com 17 anos, ele começou a faculdade de engenharia de software na UnB. Desde pequeno, ele mostrou maturidade ao entender que minha ausência em alguns momentos não era por falta de vontade, mas sim por responsabilidades.
Por outro lado, eu faço o possível para estar presente nos eventos importantes da vida dele, mesmo que, em algumas ocasiões, isso não seja viável. Esses esforços e momentos compartilhados são valiosos para construir memórias.
E no final, deu certo. Eu sempre digo que meu filho tem muito orgulho de ver a mãe dele à frente de uma empresa que é muito admirada. Somos referência em muitos lugares, mas em Brasília, que é onde moramos, a população tem identificação muito grande com o Sabin e ele tem orgulho de saber que eu sou a pessoa que está à frente do Sabin.
Então, quando sai matéria, quando sai notícia, tá lá a minha foto e ele e meu marido ficam todos orgulhosos. Eles ficam felizes por eu estar feliz, assim como eu fico feliz por vê-los felizes e realizados. Esse é o ambiente que a gente deve cultivar. Inclusive, tem uma história que ilustra bem isso. Quando meu filho tinha 11 anos, o Sabin promoveu um programa para estudantes visitarem nossa sede. No final da visita, as crianças respondiam a uma pesquisa, e uma das perguntas era: “O que você mais gosta no Sabin?”. Meu filho respondeu: “da minha mãe” (risos).
Essa resposta mostrou que, mesmo com minhas ausências, ele sempre teve orgulho da minha dedicação ao trabalho. Esses momentos me fazem perceber que, às vezes, nos sentimos culpadas, mas, no fim, tudo pode estar equilibrado. É com disciplina e flexibilidade que conseguimos conciliar as demandas da vida profissional e pessoal.

Qual o maior desafio que enfrentou nessa jornada de 25 anos no Sabin?
Ao longo dessa jornada, enfrentei muitos desafios, mas, na presidência, alguns foram especialmente grandes. Quando assumi a presidência, tive o desafio de diversificar os negócios, o que é sempre um risco. Entrar em setores ou áreas nas quais a empresa não havia atuado, como checkups executivos, diagnósticos por imagem e investimentos em startups, demandou decisões estratégicas e muita coragem.
Outro grande desafio foi substituir as fundadoras no processo de governança corporativa. A sucessão em grandes empresas é um processo complexo, e muitas organizações falham nessa etapa crucial. No caso do Sabin, a visão empreendedora das doutoras Janete e Sandra em garantir a perenidade do negócio foi fundamental. No meu caso, isso exigiu ainda mais disciplina e humildade, pois tive que lidar com a força da imagem das fundadoras e assumir a missão de garantir a continuidade do negócio. Foi, sem dúvida, uma tarefa desafiadora.
Mas, sem dúvida, o maior desafio foi liderar a empresa durante a pandemia. As doutoras Janete e Sandra sempre me ofereceram apoio e orientação, mas a pandemia foi uma situação inédita para todos nós. Quando assumi a presidência em janeiro de 2014, a doutora Janete me disse: “Lídia, estamos nos afastando, mas saiba que estaremos sempre por aqui para o que precisar. Situações difíceis vão surgir, mas pense que já enfrentamos muitas coisas nesses 30 anos. Tudo que aparecer, em algum momento, já passamos por algo parecido.” No entanto, quando a pandemia chegou, ela me disse em uma reunião: “Lídia, eu te falei que não haveria nada que já não tivéssemos enfrentado para te ajudar, mas não contávamos com uma pandemia.” Foi, sem dúvida, o maior desafio da minha trajetória.
O Sabin tem a maioria de sua liderança constituída por mulheres. Como é o trabalho da diversidade e inclusão na empresa?
No Sabin, a diversidade e inclusão são valores fundamentais e estratégicos para o negócio. Abrangemos todos os pilares: gênero, étnico-racial, LGBTQIA+, pessoas com deficiência (PCDs) e geracional. Buscamos criar um ambiente inclusivo e acolhedor para todos.
Especificamente no caso das mulheres, o desenvolvimento e o empoderamento acontecem pelo exemplo. Esse princípio começa com as fundadoras que são referências de liderança. Hoje, temos muitas mulheres em posições de liderança, como diretoras e gerentes, com 77% do nosso quadro formado por mulheres e 74% dos cargos de liderança ocupados por elas. Também incentivamos a diversidade de gênero em todas as áreas, pois acreditamos que essa riqueza traz inúmeros benefícios para o negócio.
Para concluir, me diga… se o Sabin fosse uma pessoa, como você a descreveria?
Se o Sabin fosse uma pessoa, diria que seria empática, carismática, humana, inovadora e responsável. Esses valores refletem exatamente quem somos enquanto organização, sempre colocando a responsabilidade e o cuidado como pilares de nossas ações.






