Minha primeira vez no avião

Inhaim?
Curada do furico, estava pura emoção. Fazia três anos que eu, a Lolosa e a Tobiniana “pagava” uma viagem para Porto Seguro (o mais barato) pra ficar quatro dias. A gente ia de avião. Meu sonho era andar de avião. Paguei minha vizinha para dar um trato nos bichos e no barraco. Fui às compras.
Comprei um biquíni fio dental. A Tobiniana disse que fiquei parecendo um elefante com o fio enrolado no rabo. Eu respondi pra ela cuidar do elefante dela que não estava cabendo na sunga. Lolosa comprou um calção azul com “lista” lateral. Levei dois “biquíni”, um roxo e outro “abobra”. A “quenga” comprei duas: uma roxa e uma “abóbra” pra combinar com os “biquíni”.

Fomos comprar protetor solar. Achei muito caro e troquei por pasta d’água. É a mesma coisa, mesmo. Mandei “bordá uma chinela” de dedo de miçanga colorida. Ficou linda. Peguei um “chapéu de paia” emprestado do meu “cumpadi” Carbino Pinto Valente, que ele usa na roça. Enfeitei o danado com uma flor de “prástico” de girassol e um lenço amarelo. Ficou top… adoro esta palavra… top.
Chegou o dia. Pegamos um busão e fomos até Belo Horizonte (aquele aeroporto Tancredo Neves não chega nunca, cacete). A Tobi passou um batom “vermeião” sangue na boca. A boca dela parecia código de barras de embalagem de produto do mercado. Ela tinha mais prega na cara do que o meu furico.
De repente chegou o aeroporto. Santo Deus! Lotado de gente, aquelas mulheres lindas falando ao celular, lojas e tudo. Perguntamos pra uma guarda chiquérrima: “Para onde vamos?”. “Pega aquela fila lá no fim do corredor, portão 1”.
Despachamos a bagagem.
No aeroporto, a Lolosa com uma mochila nas costas escrito: “Eu sou monstro” e chinelão de dedo no pé. Tobiniana com uma mala da Barbie, rosa, macaquinho e sandália “gradiadora” no dedo. Eu com a minha maleta de Mickey Mouse da 25, frasqueira combinando com vestido lilás marcando as curvas e minha sandália de salto de rolha branca.
Perguntamos o preço do pão d queijo na Casa do Pão de Queijo. Uma bolinha: R$ 10,00. Faço um quilo de pão de queijo no meu barraco por esse preço. Café: R$ 5,00. Coisa fina é outra gente, mesmo. Diferença da rodoviária. Ninguém comendo coxinha, menino gritando, ônibus com aquele fumação de óleo diesel.

Entramos no avião. Quando aquele trem foi pegando embalo, parecia que eu estava num carro de Fórmula 1. “É sua, Ayrtonnnnnn”. Que medo, meu Santo dos Aviões. Levei um tercinho. A “aerovelha” explicou que tinha bóia se o avião caísse no mar e que máscaras cairiam em cima da cabeça da gente, que era para vomitar no saquinho etc.
Ai, que medo, meu Deus!
Lanche no avião? Nem Pensar. Não comemos nada, nem bebemos água. Imagina o preço das coisas no avião? Meus “pé” ficou parecendo duas broas de amendoim de tão “inchado”. Levantei pra andar no corredor. O filho da puta do motorista começou a trepidar. Fui parar no colo de uma bicha sentada na poltrona da frente, que já falou: “sai pomba, que meu negócio é rola…”. Todo mundo no avião caiu na risada. Quase morri de vergonha.
Daí o moço avisou: “Vamos pousar em Porto Seguro dentro de 10 minutos, temperatura 35 graus, tempo bom, a todos obrigado por ter voado com a Azul. Boa tarde”.
Ai, com aquele vozeirão, tão educado, eu queria ser aerovelha. Chegamos. É hoje









Ha ha ha ha. Sensacional!
Otimo!!! Parabéns Lu! Lendo aqui em Passos. Continue brilhando.