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Chuva de Graça

Todo o poder sobre a natureza é d’Ele; de ninguém mais.

Senha no espírito, e acesso a Ele na hora e n’alma!

– Jó era incrível, nomeadamente pela força e intensidade de sua crença.

À comprovação do afirmado[i], vamos:

“… e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal”.

O que diz com chuvas, ademais, chuvas de graças, podemos recolher da oralidade herdada desse piedoso homem de Deus, em um passeio de tremenda sensação de paz e de chocantes maravilhas, de que o nosso Deus estabeleceu lei para a chuva e, para não lidar com ciumeiras, riscou os caminhos para os relâmpagos dos trovões.

O controle de tudo não é coisa de vazia e mendiga mentalidade de coachs em ternos de pastores e de preletores, desvirtuados por trejeitos, estalinhos de dedos e gritinhos. Onomatopeicos.

Hinos da moda, medleys, acústicos, em capelas, e ao som de parafernálias instrumentais e tecnológicas, enjoam pela repetição de decorebas com modos de artistas, aos quais não seria conveniente fazer arte com os assuntos da fé em Jesus: ‘Deus está no controle’.

Quando Ele teria perdido o governo do universo e do que fez e criou?

Deixemos chover.

A referência moral de fiel compromisso com a lei mosaica, de Uz, uma das regiões da Arábia, despeja romantismo a um fenômeno da meteorologia fundamental para o meio ambiente e a exploração de atividades humanas, para muitos, para falar o lógico, de que a chuva cai na terra, como o aguaceiro.

O encanto das expressões talvez tenha a previdente intenção de baixar o medo de chuva. De vento? Santo Deus!

Com a sua licença, invocamos Jeremias, o filho de Hilquias, que deve ter nascido no ano 650 a.C., em Anatote, no território de Benjamim, em Israel, para ouvir, longinquamente, a voz do Criador e o que dela pode proceder:

“Fazendo ele soar a sua voz, logo há rumor de águas no céu, e faz subir os vapores da extremidade da terra; faz os relâmpagos para a chuva, e dos seus tesouros faz sair o vento”.

Tenhamos noção de que é a Deus, grafado com a consoante ‘dê’ maiúscula, que estamos a referir e nos reportaremos tanto.

Depois de um resumo canônico do conceito de chuva, para o seu vestibular de geografia, o Hino 1 (um) da Harpa Cristã, aqui para ‘Três Agás’, da Estação Gospel de Franca – a caminho da eternidade com Cristo -, no versículo 13, do capítulo 10, do livro do ‘Profeta Chorão’, vejamos o que conseguimos descobrir sobre a história desta canção que abre, como comportas de represa de bênçãos, o hinário mais usado e lido em cultos evangélicos, ‘Chuva de Graça’.

Lembrete de peso:

O que temos cantado é aquilo que, na hinologia cristã, teve inspiração e trabalho de composição, em geral, de saudosos fiéis estrangeiros, de seus textos às suas melodias.

As traduções e adaptações desses elementos pegados prontos são o que gera disputas de supostos e sedizentes autores. Na maioria das vezes, de forma indevida e prenhe de orgulho, mesmo onde deve prevalecer a humildade e o reconhecimento dos méritos dos outros, vivos ou não.

A letra de ‘Chuva de Graça’:

Deus prometeu com certeza

Chuvas de graça mandar;

Ele nos dá fortaleza,

E ricas bênçãos sem par.


Chuvas de graça,

Chuvas pedimos, Senhor;

Manda-nos chuvas constantes,

Chuvas do Consolador.


Cristo nos tem concedido

O santo Consolador,

De plena paz nos enchido,

Para o reinado do amor.


Dá-nos, Senhor, amplamente,

Teu grande gozo e poder;

Fonte de amor permanente,

Põe dentro de nosso ser.


Faze os teus servos piedosos,

Dá-lhes virtude e valor,

Dando os teus dons preciosos,

Do santo Preceptor.


Estas cinco estrofes, em que a segunda é o seu refrão, são, originalmente, de Daniel Webster Whittle, de Chicopee Falls, Massachusetts, de 1840 e que faleceu em 1901, que se valia do pseudônimo de ‘El Nathan’[ii], quando ele tinha quarenta e três anos de idade, em seu idioma pátrio, o inglês, como There Shall be Showers of Blessing.

direitos de imagem: https://hymnary.org

Convém afirmar que o responsável pela tradução do Primeiro Hino da Harpa Cristã, para a nossa língua portuguesa, foi Salomão Luiz Ginsburg[iii], na última década do século XIX, polonês da área de Suwalki, que leva a lembrar o bigodão do carioca Barão do Rio Branco.

Amigos e irmãos em Jesus Cristo, o louvor de que estamos falando tem história! Foi publicado no hinário Gospel Hymns sob o n.º 4. Em 1923, constava no hinário da Igreja Evangélica Congregacional, Salmos e Hinos[iv], 4ª edição, como o de n.º 331.

Longe e muito longe de desejar despertar confusões e pendengas, o dever ético nos coarcta a assentar que o “Pastor Jotinha, no vídeo http://www.youtube.com/watch?v=W6W9NWU1oac, reclama para ele a autoria deste hino e que teria se inspirado em oração, em um monte, quando uma irmã usou da palavra, em profecia: “eu enviarei à minha igreja chuvas de graça; eu darei fortaleza aos meus servos e às minhas servas; darei ricas bênçãos sem par”.

Suas afirmações não se sustentam na cronologia do que narra. Contrapõem-se aos materiais de pesquisas de estudiosos respeitados e de pioneiros do Evangelho em nosso país.

A desautorização de autenticidade das alegações do senhor J.R. ou José Rodrigues, como o pai da letra do hino sob foco, é chancelada por Mauricio Berwald, filho da cidade de Mauá, no estado de São Paulo, pregador do Evangelho desde os 16 anos de idade. Músico e compositor, autor de aproximadamente trezentos hinos evangélicos e de dezenas de poesias, e do livro ‘Espirito Santo Consolador’ – de edição esgotada -, pesquisador a respeito da música sacra e clássica, que escreveu artigos a respeito do assunto[v].

O festejado hinólogo, da Assembleia de Deus Madureira, do campo de Lages, de Santa Catarina, ainda se dá o legítimo direito de nos ensinar, em notas de imenso valor histórico e teológico, que, desde 1883 o original em inglês usa a palavra “chuva” como ideia central da abundância de bênçãos do Senhor, ainda que a versão da nossa Harpa Cristã peça “bênçãos do Consolador”.

Incontestável mesmo, graças a Deus, é que a música do Número Um da Harpa Cristã é James McGranahan, tenor, de bela e rara voz, músico de West Fellowfield, na Pennsylvania, talentoso e cultura invejável, que viveu de 1840 a 1907.

Justo, assim, é encerrar a matéria desta edição com a foto dele e com a disponibilização deste link, pelo qual iremos ao devocional, em espírito de oração, ouvindo ‘Chuva de Graça’. No microfone e nos teclados: Milton Cardoso!

fotografia: https://www.luteranos.com.br

Três, dois, um e já: https://www.youtube.com/watch?v=Q6G4RagdRKY

A paz do Senhor!

Théo Maia


[i] Jó 1:1, segunda parte.

[ii] O presente de Deus ou o dom de Deus.

[iii] Foto de www.hinologia.org/salomao-ginsburg.

[iv] Informações excertas de https://mauricioberwald.comunidades.net/historia-da-harpa-crista-1.

[v] Em ‘mauricioberwald.comunidades.net’

Dr. Theo Maia

Advogado Previdenciarista (OAB-SP 16.220); sócio-administrador da Théo Maia Advogados Associados; jornalista; influenciador social; diretor do Portal Notícias de Franca; bacharel em Teologia da Bíblia; servo do Senhor.

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