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Venezuela vai invadir a Guiana. E o Brasil, como fica?

O solene pouco-caso que o governo venezuelano dedica à decisão da Corte Internacional de Justiça, órgão da ONU sediado em Haia (Países Baixos) – que proíbe a ocupação da região de Essequibo, na Guiana, é uma preocupação que deve tomar conta do mundo nos próximos dias, semanas ou enquanto durar esse propósito do ditador Nicolás Maduro. Primeiro porque não vivemos nais na época das conquistas à força de territórios e, principalmente, porque já há advertência contrária do tribunal internacional e pronunciamentos de diversos países – entre eles os Estados Unidos – na mesma direção.
Ignorando tudo, Maduro acaba de nomear interventor para a região a invadir e determina que a PDVESA – companhia petrolífera venezuelana – tome providências para a prospecção do óleo no território guianense.

A área representa 70% do mapa da Guiana, tem população de 125 mil habitantes (num país de 800 mil) e possui valiosas reservas de petróleo, cobre e diamantes. Pelo jeito que a providência é colocada – com um projeto a ser votado no Parlamento venezuelano, a medida deve ser executada de imediato. Um problema é que, para ocupar a área, os venezuelanos terão de transitar com suas tropas pelo território brasileiro, pois a fronteira entre Venezuela e Guiana é tomada por uma densa floresta. E, para isso, terá de obter autorização de nosso país pois, caso contrário, será invasão passível de reação. De qualquer forma, o presidente Lula e o seu governo não podem tardar num posicionamento oficial sobre a questão.

Além disso, será de bom alvitre que antes de se lançar à ocupação, Maduro busque o posicionamento internacional – especialmente das grandes potências, para evitar uma possível reprimenda militar que o faça recuar er voltar para casa com o rabo entre as pernas, como se diz popularmente.. Até porque, como especulam analistas do quadro, a Venezuela dona de um grande Exército, com muito equipamento bélico, em razão da prolongada crise econômica que vivencia, pode estar muito desse material fora de operação e carente de manutenção. Pensamos que, mesmo assim, seria capaz de batar a pequena Guiana, mas talvez insuficiente para enfrentar uma possivel reação de seus prováveis apoiadores.


O quadro é muito parecido com a Argentina do começo dos anos 80, quando a claudicante ditadura do general Leopoldo Galtieri inflamou o povo e invadiu as Ilhas Malvinas (Falcklnads, para a Inglaterra). Os ingleses reagiram, recuperaram o domínio do arquipélago e, de quebra, o governo de Galtieri caiu. O quadro mundial de hoje tem diferenças, Porém a ONU (Organização das Nações Unidas) e seu tribunal internacional – para manter a credibilidade, precisam encontrar a formula de ter sua ordem respeitada pois, se confirmada a desobediência e nada ocorrer, aqueles organismos estarão desmoralizados e perderão sua utilidade.


O Brasil, como pedra-de-toque na questão, precisa se pronunciar. Não apenas reforçar a guarda de fronteira, como já está fazendo, mas dizendo claramente se permite ou não a passagem das tropas venezuelanas para o ataque à Guiana. Se permitir, fatalmente, se tornará sócio do conflito. Um detalhe preocupante: o solo brasileiro também possui reservas petrolíferas na região da foz do Rio Amazonas, cuja exploração vem sendo politicamente torpedeada pelos ativistas ecológicos do próprio governo.

E se depois de subjugar a Guiana – se isso vier a se concretizar – o que faria o governo brasileiro numa eventual investida de Maduro sobre o nosso território recheado de óleo? Melhor não apoiar (ou tolerar) as estúpidas e ilegais conquistas do quintal do vizinho pela força. Se não for contido e tiver sucesso, o olho do invasor poderá crescer também sobre o nosso…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

É dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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