
No início de 2022, me calei e parei de escrever. Fiquei todo este tempo, tentando retomar a escrita para o Notícias de Franca, mas, as palavras estavam engasgadas e não saiam. As atividades diárias são muitas e os textos até estavam no universo, mas apareciam (e ainda aparecem) em momentos que não é possível escrever – como debaixo do chuveiro ou na cama, logo depois de deitar. São tantas as opiniões e comentários que gostaria de ter feito, mas que ficaram para outros momentos. Analisando direitinho, porém, não deixei de me manifestar. O fiz de outras formas, minha escrita alcançou outros lugares. No ano passado, tive um texto de ficção publicado em uma coletânea do Selo Off Flip que, durante alguns anos, foi responsável pela organização da Flip Parati e estou em outra coletânea a chegar nos próximos dias. Uma alegria ter tido textos selecionados por esta editora. Recentemente fui convidada para escrever um poema a partir de uma foto de uma janela, tirada por uma amiga dos tempos de escola. Um poema, gente!
Enquanto ativista também não me calei e por isso fui uma das ganhadoras da 5ª edição do Prêmio Juntas Transformamos do Instituto Avon e finalista do Prêmio Inspiradoras 2022 pelo trabalho que realizo na Universidade Federal de Uberlândia no combate à violência contra mulher. Minha voz também alcançou outras vozes e fui palestrante em alguns lugares, pois combater a violência faz parte do meu trabalho na Universidade com o projeto de extensão “Eu combato a violência. E você?”. O que me entristece é ver a violência aumentar em escalada absurda. O Brasil não está protegendo suas mulheres como deveria. Só em 2022, Minas Gerais e São Paulo registraram respectivamente 163 e 109 feminicídios, que são os crimes que ocorrem pelo fato da mulher, ser mulher. Os casos são tão absurdos que ainda hoje, mesmo sendo estudiosa do assunto, não consigo entender como um homem pode planejar o assassinato de uma mulher que ele jura amar.
Mas estou de volta em um momento difícil para o mundo – em meio a vários conflitos que assustam pela crueldade e pela dificuldade de entendimento (importante lembrar que as guerras atendem a interesses econômicos). Felizmente, vários brasileiros foram retirados e estão bem em nossas terras que também tem problemas gravíssimos. A guerra no Brasil é diferente, mas ela existe. Basta ver atualmente a escalada da violência na Bahia e no Rio de Janeiro que não poupa ninguém. Nossas crianças também estão morrendo e a barbárie está estampada nos meios de comunicação diariamente. É nosso papel melhorar este mundo. Mas, o que você tem feito para garantir homens e mulheres melhores para o mundo futuro?
PS: Meu filho acabou de fazer 18 anos, espero que eu e meu marido tenhamos feito um bom trabalho.






