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RGS, o alerta ambiental ao Brasil

Durante muitos anos foi habitual as pessoas – especialmente os professores – dizerem que o
Brasil era um país abençoado porque no seu território não haviam vulcões, áreas sujeitas a
terremotos e não ocorriam furacões e similares. Era uma fala quase ufanista normalmente
usada para alavancar a Pátria em épocas quando outros países – especialmente os ricos –
eram assolados por fenômenos climáticos como os furacões que sobem do Caribe aos Estados
Unidos e os vulcões que lançam rios da larvas na encostas de suas montanhas. Hoje, porém, as
afirmativas daquele tempo não têm a mesma força, principalmente depois do ciclone e da
destruição de dezenas de municípios no Rio Grande do Sul. Estamos entrando numa fase em
que as forças da Natureza tendem a nos fazer sofrer, como num castigo pelos deslizes que
cometemos.

No passado era difícil alguém acreditar que as correntes térmicas do Oceano Pacífico
pudessem trazer grandes alterações ao território brasileiro. Mas, hoje é senso comum que
vivemos sob a influência direta de “El Niño” (que potencializa o calor) e “La Niña” (que traz frio)
porque com o território sulamericano sem sua cobertura vegetal original, aqueles fenômenos
– comuns no Chile e Peru – são trazidos pelo vento até nós e ainda avançam pelo Oceano
Atlântico. Acontecimentos locais – o rompimento de barragens de mineradora em Minas
Gerais, a existência de depósitos que exigem monitoramento e dezenas de rios poluídos em
larga escala nos apresentam um Brasil não tão abençoado como se pensava décadas atrás.

Somos um país cheio de problemas ambientais que exigem solução e enfrenta muitos
inconvenientes, até a nefasta exploração política do Meio Ambiente. O povo, mal educado,
descarta nos rios pneus, geladeiras, sofás, guarda-roupas, carcaças de automóveis e toda
espécie de lixo. Por conta disso, estradas e cidades são frequentemente inundadas e
produzem vítimas, uma parte delas fatais.

Os acontecimentos do Rio Grande do Sul devem ser vistos como um alerta para todo o
País. O planeta passa por grandes transformações ambientais – incêndios florestais,
terremotos, vulcões, furacões, tempestades tropicais e outros. Tudo isso fatalmente alterará
o clima em território brasileiro. Hoje os governos federal, estadual e municipais atuam
curativamente em território gaucho. O ideal é que os governantes de outras áreas, ainda não
sinistradas, verifiquem a possibilidade de serem atingidas e comecem um programa
preventivo. É melhor prevenir do que remediar até porque, com a prevenção, evita-se mortes
e sofrimento da população.

Uma ação que poderá ser de grande utilidade e não deverá custar tanto dinheiro é a
desobstrução das zonas criticas dos rios, principalmente aquelas onde suas águas costumam
sair do leito e invadir estradas, vias urbanas e até residências. Um programa dessa natureza
executado quando o excesso de água ainda não chegou terá custo infinitamente menor do que
o socorro depois que a catástrofe se instalou. O governo federal fará muito se providenciar os
recursos e a coordenação de um programa de regularização dos cursos d’água utilizando
convênios com os estados e municípios. A execução tripartite levará à solução dos problemas.

Em todos os lugares do mundo, a convivência das águas com o desenvolvimento foi
problemática. Mas o emprego de técnicas adequadas colocou tudo nos eixos e hoje s
sociedade e os rios convivemos harmoniosamente. O Brasil, no seu atual estágios de
desenvolvimento e economia, precisa apressar-se para acabar com a devastação e o
sofrimento do povo. Mexam-se o presidente da República, os governadores dos Estados e os
prefeitos municipais…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

É dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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