
A promiscuidade das funções de Estado com a atividade política é uma grande chaga que acomete a vida nacional e tem de ser extirpada. É preciso acabar definitivamente com o uso político ou ideológico dos serviços públicos, que são custeados pelos tributos recolhidos da sociedade e devem estar disponíveis a todos.
Vimos o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal ser preso mediante a acusação de ter direcionado o trabalho da corporação para impedir que eleitores do presidente Lula, então candidato, não chegassem às urnas em tempo de votar e isso beneficiasse Jair Bolsonaro. Há que se apurar rigorosamente a questão e, se confirmadas as denúncias, punir exemplarmente o denunciado porque essa prática é criminosa e prejudica o direito de livre manifestação eleitoral do povo. Mas, se não comprovado o procedimento irregular ou criminosos relatado, os apuradores não podem deixar de punir os acusadores por crime de denunciação caluniosa.
Não pode aquele que administra órgãos públicos colocar os seus recursos a serviço de candidaturas, ideologias ou partidos políticos. É, se o fizer, tem de pagar o preço. É vedado aos serviços públicos serem direcionados a beneficiar (ou prejudicar) os agentes políticos em disputa. Os próprios governantes têm de saber que política partidária é feita no âmbito do partido onde são filiados e que a ação de governo tem de se situar acima das divergências políticas ou ideológicas. Nada impede que o presidente, governador ou prefeito direcione seu governo segundo a visão do seu partido, mas a atividade governamental tem de ser apartidária. Não podem, por exemplo, os órgãos de saúde, educação, polícia e de outras prestações estatais de serviços atender prioritariamente os aliados do governador.
É dentro dessa filosofia que temos alertado para a impropriedade do proselitismo político em sala de aulas e nas atividades das escolas. O aluno não pode ser submetido a doutrinação política ou ideológica. Os professores têm de se limitar a ministrar o programa curricular. Nada impede que sejam militantes (independente se de centro, direita ou esquerda), mas não podem militar no local e horário de trabalho, fazendo-o no seu partido e respectivas atividades. É inadmissível ver universidades sendo “rotuladas” como ninhos ou trincheiras ideológicas. Elas fogem à finalidade.
A atividade do professor é fundamental para o desenvolvimento do aluno. É um desperdício dedicar parte do seu tempo ao proselitismo e atividades políticas. Tudo o que ele falar de política só alunado deve, obrigatoriamente, ter caráter informativo, sem pender para qualquer tendência. Dessa forma, em vez de prejudicar, essa cultura poderá ser útil para o aluno montar seu raciocínio crítico quando pretender fazer a sua opção política ou, até, para decidir não participar.
Política feita com consciência e responsabilidade ajuda na evolução da sociedade. Fazem bem os titulares das instituições ao apurar todas as denunciar de irregularidades. Mas não devem partir da suposição entre o certo e o errado antes de apurar e conhecer a realidade dos fatos. Para maior respeitabilidade, todos os que falam em nome das instituições onde militam devem ter o cuidado de não emitir opiniões ou insinuações que deem como verdadeiros fatos ainda não apurados ou comprovados. Se o fizerem, devem também responder por denunciação caluniosa e outros crimes que o tipo penal prevê para esse tipo de comportamento. Adotadas essas providências, começaremos a consertar o País e a política…







