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Não há justiça na história da humanidade

A evolução da humanidade se deu em razão da capacidade de agrupamento que visava a manutenção da espécie no globo. A aptidão em criar ficções capazes de regular comportamentos em meio sociais, desde o manejo de alimentos, regramentos jurídicos, delimitação de territórios, a objetos que representam valores equivalentes facilitou a complexidade que envolvia interesses diversos. Isto foi importante para perpetuação do homem no tempo.

Ocorre que, não há espaço para duas ou mais inteligências em um mesmo ambiente. Na medida que uma não agir, a outra ocupará o determinado local, impondo de forma variada seu mecanismo para sobrevivência – seja entre dois indivíduos ou um grupo de pessoas. Nos primórdios, era através da força bruta a imposição do poder. Ocasião que o mais “bárbaro” impunha e vencia os conflitos.

Com passar dos milênios, houve uma sofisticação nos mecanismos de poder, momento que alguns chamam de evolução. Sociedades supostamente nominadas “civilizadas”, criaram cidades, câmaras, federações, Estados, mecanismos, formas de governos, leis, tribunais julgadores, cadeias, além de não abandonar a força como “última” medida para soluções de conflitos.

Todavia, em todo este contexto histórico há um grupo minoritário que exerce a dominância. São criadores das ficções que regem todo o convívio, mantendo privilégios advindos da exploração de outros grupos majoritários.

Invasores de territórios tendem a impor sua cultura sobre o povo, eliminando os que resistem, escravizando os que restam, enfraquecendo a cultura local aplicando uma hierarquia. No início através da força, no decorrer mediante desvalorização do nativo através de: uma codificação teológica; colocando como mais fraco; menos inteligente; preguiçoso ou mórbido.

Foi assim na criação de castas na sociedade Hindu, onde houve invasores e o grupo dominante se relacionam entre eles, enquanto outros são intocáveis conforme a vontade do Deus Brahma.
Na Europa com seu imperialismo nas demais terras invadidas e escravização de povos nativos ou de outros capturados e levados a força para as terras tomadas. Na América do Norte com a ideia de superioridade do homem branca sobre o homem preto.

Assim feito com a ideia patriarcal, com justificativas biológicas – infundadas – privilegiando homens senão em todos os aspectos frente as mulheres. A muito pouco tempo, tem conquistado seu espaço em meio social. Mas, o fato de ter útero já foi motivo de não poder participar das questões “políticas” da cidade na Grécia antiga. Dado a moralidade da formação patriarcal em âmbito mundial em praticamente todas sociedades.

Ainda que os ocidentais mais modernos recusem esta ideia, ou não conseguem compreender como ainda há este modo de convivência, uma força invisível moral paira. Mantendo toda uma estrutura histórica, como por exemplo: leis injustas que não atacam privilégios. Ou pretextos que certos grupos não tem acessão social por falta de vontade de querer melhorar de vida, justificando que as conquistas são por mérito já que há uma igualdade perante a lei e o “Sol brilha para todos basta acordar cedo”.

No Brasil, o último país a abandonar a escravidão, além de tirar o escravizado de seu território, explorá-lo, deixá-lo a própria sorte ainda o julga por não ter acessão social após a “abolição”. Como é possível não aceder? Já passou mais de cento e trinta anos, não somos todos iguais?

Sem contar o que fizeram os lusitanos com os originários da terra – Brasis – no momento da invasão. Estes não faziam parte das estatísticas.

Pergunto: De quem era o interesse? Quem instaurou o sistema? Quem aboliu? Percebe a existência de um grupo e o senso imperial? Trata-se de um mecanismo cíclico estrutural equiparado, que não perdeu força em vários setores sociais. Infelizmente, não há justiça na história da humanidade.

Dione Castro

É administrador de empresa, estudante de gestão empresarial pela Fatec, graduado em direito e um eterno curioso.

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