Piriguete

Toda segunda feira por volta das sete da manhã, observa-se o desesperador anseio de trabalhadores a tão esperada sexta feira. Uma angustiante ansiedade logo no início da semana. No escritório querem tudo na hora. Todos querem expor sua importância e motivos para atendimento prioritário. Em minha relação tenho mais casos urgentes do que os ditos “normais” adequados as regras. Na mesa de café queixas. O telefone toca a todo instante, e-mail bombando, e as mensagens instantâneas chegando sem parar no aparelho celular. Uma loucura.
Já a quarta feira parece ter quarenta e duas horas trabalhadas. Trata-se justamente do meio da semana. Conta-se os minutos para o fim do dia de trabalho. Não se vê a hora de chegar sexta feira a tarde. Claro, é importante ressaltar que há vida após as dezoito horas, sobretudo na tão esperada sexta feira. Lembrando que o “esquema” já está organizado. As três da manhã de quinta, ainda há e-mail’s para responder do dia anterior.
Enfim é chegada a hora do relaxamento. Aquele exato momento em que “ninguém é de ninguém”. Na sexta feira após as dezoito horas tenho horário marcado. Chego e já a vejo do outro lado do balcão. Está um brilho só. Curvas arrasadoras, uma combinação perfeita após uma semana exaustiva trancafiado em um escritório. Odiada pelas esposas ela vem balançando na troca de passo. Aquele belo colar, toda suada deixam os homens de lábios mordidos.
Minha gravata levemente afrouxada vejo aquela de “noivinha” sobre a mesa. Acendo o charuto e a pego. Que delícia. Vem verão, vai verão ela deve permanecer assim, no ponto. Garçom, desculpe-me, eu sei que não estou em Salvador, mas por favor, traga outra “piriguete” bem geladinha?






