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Turbante

Do quebrado do samba, do maxixe, do carimbó, uma celebração da dança. De uma luta mascarada que ginga, joga, de um golpe a uma estrala, do rabo-de-arraia seguido da meia-lua de compasso a esquiva é a capoeira. Ao som do berimbau se resiste. Da feijoada, do acarajé, de cururu a moqueca. Deste modo serve à culinária e a nossa mesa. Na religião surgem as doutrinas Umbanda, Candomblé, Xambá, Confraria, Macumba e outras.

Lembrem-se, este é um Estado laico.

Afro.

Afro de nariz amassado, cabelo black power, de vida sofrida e resistente. Sim, Lima Barreto, brasileiro, afro brasileiro, a serviço da cultura. Claro, José do Patrocínio, brasileiro, afro brasileiro, a serviço do jornalismo. Abdias do Nascimento, brasileiro, afro brasileiro, a serviço das causas sociais. Carolina de Jesus, brasileira, afro brasileira, a serviço do grito contra fome. Milton Santos, brasileiro, afro brasileiro, um grande revolucionário geógrafo. E sim, o Doutor Carlos de Assumpção a disposição da poesia brasileira. Isso mesmo, Doutor em poesia, a arte falada. Não pararemos de gritar seu moço.

Afro.

Tentam nos colocar junto aos ancestrais em um eterno quilombo, porém esquecem que é eterna a esperança pela “liberdade”, sobretudo o anseio pela resistência. Isto, uma metáfora “quilombo”, aquela eterna esperança da igualdade, sem descriminar o outro. Ei, não existem diferenças de potenciais por cor de pele. No mundo havia Martin Luther King, uma figura notável para história, o iluminado Nelson Mandela um homem digno de coração puro, no Brasil havia Luiz Gama o advogado patrono abolicionista. Tinha também Machado de Assis – apesar de tentarem embranquecê-lo é um imortal da literatura brasileira.

Zumbi dos Palmares, um líder.

Por debaixo do turbante daquela moça há história. Lá está aquilo que queremos ser, ou melhor, aquilo que somos pessoas de honra. Resistentes. Eu, brasileiro, orgulho-me do sangue resistente de minha mãe.

Assim sendo, sou branco de certidão, afro de cabelo, de nariz, de lábios, de gosto, e de alma. Sou afro brasileiro.

Dione Castro

É administrador de empresa, estudante de gestão empresarial pela Fatec, graduado em direito e um eterno curioso.

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