Franca contra o crime
Não sei se é impressão minha, mas ultimamente cresceu a criminalidade em Franca. Homicídios e roubos seguem em alta e todos os dias são noticiados.
Não sou simpático a quem comete crimes. Mas, como em ‘Bonnie e Clyde – uma Rajada de Bala’, Faye Dunaway e Warren Beatty seriam admirados em Franca.
Falando dos homicídios, havia guerreiros dos tempos antigos que matavam seus inimigos, bebiam o sangue e acreditavam que assim possuíam a sua energia vital. Poético e justificável para a mentalidade da época. Hoje o sangue se perde na rua, mas não vamos entrar em detalhes grotescos.
O homicida pode tentar justificar o crime pela legítima defesa. É certo que ainda não atingimos o nível de prever crimes, como Tom Cruise, em ‘Minority Report’, mas há câmeras por todos os lados e é fácil provar a enganação do criminoso. Assim, resta ao assassino, pego na mentira, alegar a tese ‘surto psicótico’.
Eu não sei o que o leitor acha, mas para mim tudo pode ser justificado pelo ‘surto psicótico’. Dia desses, de madrugada, eu comi uma lata de leite condensado com achocolatado (fica cremoso e gostoso, experimentem). No dia seguinte, aleguei ‘surto psicótico’ para minha esposa.
Em outra oportunidade, Dolly, a cachorrinha que mora na minha casa, mordeu uma visita, aleguei ‘surto psicótico canino’, acabamos todos em risos e tudo ficou bem. Não há esposa, visita, psiquiatra ou juiz que refute essa tese.
Quanto ao roubo, não tenho interesse e não o praticaria. No caso de roubo de gado o prejuízo seria certo. Pois veja que Dolly, a cachorrinha mordedora, tem descamação na pele e o xampu que uso para tratá-la custa oitenta reais. Imagine que eu descarregue os animais no quintal de casa e uma das vacas tem a mesma doença que a cachorrinha. Sou protetor dos animais, cuidaria da pele da Mimosa.
Cabos de rede elétrica ou telefonia, o néctar da bandidagem francana, não me interessam. Vou fazer o que com esses cabos? Miçanga?
Dinheiro, nem pensar. Quando era jovem, um professor da Unesp me disse, com erudição, que o Capitalismo, personalizado no dinheiro, destrói a individualidade e torna o homem escravo em si mesmo. Aboli as notas, e desde então, só uso crédito, débito e, recentemente, PIX.
Alguns lugares de Franca, antes tranquilos, estão perigosos. Dia desses, eu assistia ao jornal da manhã e a reportagem dizia que o bairro Estação parecia o velho oeste, só que sem xerife. Não vejo a hora de comerciantes e moradores contratarem Clint Eastwood e Morgan Freeman, como em ‘Os Imperdoáveis’, ou quem sabe Yul Briner, Steve McQueen, Charles Bronson e companhia, como em ‘Sete Homens e um Destino’.
Ao fim da reportagem, foi lida uma nota da Secretaria de Segurança Pública, que dizia trabalhar incansavelmente para apurar os crimes e identificar os responsáveis. Naquele mesmo dia, o jornal da tarde noticiava um roubo na loja de um senhor de idade, que dizia pensar em fechar o estabelecimento. Pelo humor involuntário entre ato e fato, creio que o melhor seria a secretaria de segurança colocar no caso Chris Tucker e Jackie Chan, como em ‘A Hora do Rush’.
E se, como em ‘Fogo Contra Fogo’, Al Pacino e Robert de Niro resolverem trocar tiros pelas ruas da cidade, que eles não me baleiem quando eu for pedir um autógrafo.







