Um recorte na noite

A chuva caía lá fora. O silêncio se desdobrava aqui dentro. A noite assoprava vozes ao espírito…
Abri a janela, a brisa me fez refém de lembranças teimosas: queimavam nas entrelinhas do dia-a-dia.
Houve um tempo em que a juventude era um fardo! Estranho demais, eu sei. Mas sempre estive ligada a um mundo, uma época diferente!
O amadurecimento me trouxe liberdade… A mesma com que brincamos na adolescência e negociamos quando adultos.
A brisa persistiu um bom tempo enquanto a chuva orquestrava suas gotas entre os dedos – sentimentos!
Quando acordei do transe, voltei a tomar posse dos pensamentos, mas já não era mais a mesma.
Era mais de mim, mais hoje, unida às mensagens do universo. Entregue a toda impossibilidade que se torna real.
Atabalhoada, mas viva, em mutação!







