Cunversa Caipira

_ Fala, Zé.
_ Bom dia, Mané.
_ Só aqui pra nóis nos encontrá.
_ Pois é. Cumé qui tá a famia?
_ Larguei da muié.
_ Que isso! Noceis eu botava fé.
_ Num dá pra confiá. É de cabaré.
_ Disso nóis sabia.
_ Mais também tinha cecê e chulé.
_ Aí nem o demonho guenta.
_ Pô cê vê cumé qui é.
_ Lá em casa tamo esperando o sexto fio.
_ Cê cria isso tudo comé?
_ Em Deus tenho fé.
_ Sorte que as coisa na roça tão boa, né?
_ Demais. Já viu o preço do café?
_ Preço bao. I os imposto?
_ Colho mil, declaro cem. Sabe cumé.
_ Arrendei minhas terra. Agora só pesco tucunaré.
_ Ê, cunversa boa.
_ Ih, rapaiz. Já tão chamando nóis. Vai rezá.
_ Coitado do Tumé.
_ Boa gente. Mas dexô dívida.
_ Viúva deu gazaDeus. Sufria dimais.
_ Tá inxuta. Arruma oto. Viúvo é quem morreu.
_ Antes ele du qui eu.
_ Cê pega na arça da direita.
_ Já vamo nos dispidino, tô com pressa.
_ Pur quê?
_ Acompanhá uma vaca qui vai pari.
_ Dá um chego em casa quarqué dia. Cê sabe onde moro.
_ Nóis combina.
_ Sinão, até o próximo veloro.








Muito bom Michel, é desse jeito mesmo
Você sempre me surpreende, meu amigo de fé e meu irmão camarada.
Parabéns Micha!
Parabéns amigo Michel… excelente homenagem aos homens simples (mas sábios) do nosso interior… abraço