Deixai vir a mim os pequeninos!

Dia desses fui comprar pão. Óculos escuros e barba por fazer. Na entrada da padaria havia 3 crianças, aparentavam ter entre 5 e 7 anos. Humildes. Minha cara deve ter espantado as pobrezinhas. Na fila, logo na minha frente, uma guriazinha de uns 11 e o piá parecendo ter 8 anos. Irmãos. Pediram um pão bengala; eu, 10 pães francês. Na saída os irmãos foram interpelados pelas 3 crianças.
- Dá um pão? – pediu uma delas, apontando pra bengala.
O irmão da menina fez sua consideração:
- Como a gente vai dar um pão se a gente só tem um pão???
A irmã resolveu:
- Ué! Repartir não é dar um pão inteiro. É só dar um pedaço do pão e pronto!
E dito isso, cortou com um gesto simples um terço do pão bengala, deu às crianças e seguiu naturalmente o seu caminho na companhia do irmão.
E eu – que vinha logo atrás testemunhando a cena, por detrás dos óculos escuros, aos 47 anos de idade na cara – aprendi, enfim, o significado de repartir.
E abri meu cartucho, e chamei as três crianças, e lhes dei três pães, e me senti feliz como se meu rosto espelhasse os sorrisos inocentes que me deram aquelas três crianças!
Naquele tarde pude ver que a multiplicação dos pães não depende necessariamente de um grande milagre, mas apenas de um singelo e cotidiano gesto de amor ao próximo.
O pão nosso, o milagre nosso de cada dia: fazei hoje!
Enquanto eu escrevo isso, lembro-me do Mestre dos Mestres:
“(…) Jesus indignou-se e disse-lhes: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham.
Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará”.
A gente aprende muito com as crianças… eu aprendi!







