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Falta de manutenção predial coloca imóveis em risco e causa 66% dos acidentes

Reparo predial (Foto: Pexels)

O setor da construção civil registra forte ritmo de crescimento no Brasil, alavancado por novas obras de infraestrutura e empreendimentos imobiliários. Porém, o aquecimento do mercado contrasta com um problema grave nas edificações já entregues: a ausência de manutenção preventiva.

Um levantamento da Câmara de Inspeção Predial do Ibape-SP revela que 66% dos acidentes em prédios e casas são causados por conservação inadequada e deterioração precoce, enquanto 34% decorrem de falhas na execução da obra.

O surgimento de pequenas alterações em paredes, tetos e pisos serve de alerta para evitar danos maiores e prejuízos financeiros. O engenheiro civil Rennan Leal, pós-graduado em Patologia nas Obras Civis pelo IDD e sócio da NS Engenharia Estrutural, ressalta que problemas aparentes como rachaduras, infiltrações e corrosão afetam diretamente a segurança e a vida útil da estrutura. “O maior erro é acreditar que, se a edificação não apresenta problemas aparentes, ela está segura. Muitas patologias estruturais evoluem de forma silenciosa”, afirma o especialista ao Feed TV.

Rennan Leal (Foto: Instagram)
Rennan Leal (Foto: Instagram)

Embora nem toda fissura represente um risco imediato, a presença combinada de determinados sinais exige avaliação técnica urgente. Entre os sete principais pontos de atenção estão: rachaduras que aumentam de tamanho ou voltam após o conserto; fissuras diretas em vigas, pilares e lajes; portas emperradas acompanhadas de pisos desnivelados; infiltrações contínuas; estruturas de aço expostas e enferrujadas; revestimentos soltos na fachada e estalos ou deformações visíveis.

Ao notar esses indícios, a orientação do profissional é registrar o avanço dos danos com fotos, guardar o histórico do imóvel e jamais realizar maquiagens na estrutura. “A água é um dos principais agentes de deterioração. Pintar uma parede sem tratar o vazamento apenas esconde o problema”, alerta Rennan Leal. Caso a estrutura apresente estalos constantes ou deformações rápidas, a recomendação imediata é evacuar o imóvel e acionar o Corpo de Bombeiros ou a Defesa Civil.

Em situações habituais, o diagnóstico deve ser conduzido por um engenheiro habilitado pelo Crea, com emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Rennan Leal reforça que a inspeção deve ser incorporada à rotina de cuidados com o patrimônio. “Diferentemente da manutenção de um veículo, que é vista como essencial, muitas edificações passam anos sem avaliação. Um laudo vai além de achar falhas: é uma ferramenta de gestão de risco para definir se a estrutura deve ser mantida, recuperada ou reforçada”, conclui.

Notícias de Franca

É jornalista e editor da Folha de Franca

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