Dor nas costas não é ‘coisa da idade’: ortopedista alerta que o silenciamento do idoso agrava doenças da coluna

Com o aumento da expectativa de vida no Brasil, surge um desafio crucial: como manter a saúde da coluna vertebral ao longo das décadas? O ortopedista e especialista em coluna Guilherme Henrique Porceban diz que um dos maiores obstáculos para o envelhecimento saudável é a ideia equivocada de que sentir dor é uma consequência inevitável da idade.
“Eu recebo pacientes de 70, 80 anos cansados de atendimento médico porque suas queixas de dores nas costas não são ouvidas ou são minimizadas como algo ‘normal’ para a idade”, afirma Porceban, que é mestre em cirurgia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Mas a dor nunca é normal. Sempre que há dor, há uma razão para tratamento, já que isso afeta severamente a qualidade de vida.”
Entre os principais problemas de coluna que atingem pessoas acima de 40 e 50 anos estão as hérnias de disco. Elas acabam gerando uma compressão das estruturas neurológicas da coluna e podem afetar a transmissão da força e da sensibilidade. “Assim que começar a sentir, por exemplo, dormência e perda de força, é importante procurar atendimento para intervenção o quanto antes”, diz o ortopedista.
Perda muscular
A relação entre peso e musculatura é um dos pilares para a coluna saudável. A perda de massa muscular que acontece com o envelhecimento e também em processos rápidos de emagrecimento pode virar uma “tragédia para a coluna”.
Segundo o médico, a perda da estrutura muscular (sarcopenia) retira o suporte essencial das vértebras, o que pode agravar processos degenerativos e intensificar as dores. Por isso, o médico enfatiza que o fortalecimento muscular é o melhor aliado para retardar o desgaste natural das articulações, como a coluna e os joelhos.
“O envelhecimento saudável é construído dia a dia”, afirma. Ele reforça que, embora o ideal seja começar o fortalecimento muscular na juventude, nunca é tarde para iniciar atividades físicas, como a musculação. “São os exercícios que vão ajudar a ter uma velhice com mobilidade e sem o peso da dor crônica.”
Ciclo entre dor e saúde mental
Para o especialista, a dor crônica — aquela que persiste por mais de três meses — é particularmente complexa em idosos pois raramente envolve apenas uma causa física, como uma hérnia de disco. Ela frequentemente se associa a alterações na saúde mental, como depressão e ansiedade.
“Sentir dor faz a pessoa ficar mais depressiva e ansiosa, e esse quadro psicológico acaba intensificando a dor na coluna.” Por isso, o tratamento deve ser coordenado e precoce, evitando que o paciente entre em um ciclo de isolamento e perda de autonomia.
Dicas para envelhecer com a coluna saudável
- Priorize o fortalecimento muscular: a prática de exercícios como a musculação é a principal forma de prevenir o avanço do processo degenerativo da coluna e das articulações.
- Fique atento aos sinais de alerta na coluna: procure um especialista se a dor nas costas permanecer por mais de uma semana, apresentar intensidade superior ao habitual ou vier acompanhada de dormência e perda de força nos braços ou pernas
- Adote uma alimentação equilibrada e procure manter peso adequado sem sacrificar a musculatura que protege as articulações. Uma alimentação ruim impacta a coluna de forma direta, tanto ao acelerar o processo degenerativo das vértebras quanto ao comprometer a capacidade do corpo de gerar e manter uma estrutura muscular adequada.
- Lembre-se que fatores como privação de sono, estresse e sedentarismo são os principais agravantes das dores na coluna e do declínio da qualidade de vida






