Um jovem de 17 anos que transforma memória em pertencimento: João Victor, ‘o historiador de Restinga’

Em Restinga, pequena cidade do interior paulista com pouco mais de seis mil habitantes, um jovem de apenas 17 anos vem conquistando a comunidade com seu trabalho de preservação da memória local. João Victor Pongeti, morador da cidade desde sempre, ainda criança se encantou pela história local, ouvindo as narrativas do avô sobre a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, elemento central na formação e crescimento da cidade e da região
A curiosidade pela história foi crescendo ao longo dos anos e levou João a criar uma página no Instagram que se tornou um verdadeiro destaque na cidade: são mais de oito mil seguidores, número que supera a população de 6,4 mil de Restinga. Ali, ele compartilha entrevistas, personagens atuais e históricos, cenas do cotidiano, registros urbanos e belíssimos trabalhos de restauração de fotografias. Além disso, João ama fotografar e muitas das imagens da cidade que ilustram sua página foram feitas por ele, revelando seu olhar sensível e apaixonado por Restinga.




“O interesse pela história local surgiu ainda na infância, motivado pelos relatos de meu avô sobre a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, cuja presença foi decisiva para o desenvolvimento da região.”, conta João. A partir desse contato inicial, ele passou a coletar fotografias antigas, documentos, entrevistas e relatos orais, com o objetivo de preservar a memória do município e torná-la acessível às novas gerações.
Com o passar do tempo, João já conversou com figuras importantes da história política e social da cidade, como a esposa do primeiro prefeito e emancipador do município e o segundo prefeito de Restinga. Essas experiências enriqueceram suas pesquisas e ampliaram a compreensão sobre os bastidores da formação administrativa da cidade.

Embora Restinga tenha apenas 62 anos de emancipação política (completados no último dia 28 de fevereiro), sua história é muito mais antiga, marcada pela ocupação das fazendas, pela chegada da ferrovia, pela religiosidade e pelo cotidiano dos trabalhadores que deram origem ao núcleo urbano. O trabalho de João consiste em preservar, organizar e divulgar esse patrimônio, reforçando a importância da memória como instrumento de identidade, pertencimento e valorização cultural.

Entre seus projetos mais recentes está a parceria com Marcelo Mambrini, dedicada à restauração das fotos de todos os prefeitos da cidade. “Já ouvi muitas histórias de todos eles, incluindo o Mário José e Joaquim Natal… Porém eu não conhecia nenhum deles por foto, e creio também que a maioria dos moradores mais jovens também não. Então, junto com o Mambrini, decidi procurar as fotos deles e montar a galeria, para que todos pudessem conhecer os antigos administradores da nossa cidade”, explica João, que usou as imagens, criatividade e pesquisa para fazer um mini-vídeo sobre os ex-prefeitos de Restinga. Além disso, ele e Mambrini também fizeram quadros de cada uma das fotos (imagem acima) e vão organizar exposição das imagens em diferentes lugares da cidade.

Entre os vários filmes que João produziu com auxílio da inteligência artificial, há um em especial que narra a origem de Restinga de forma criativa e acessível. Nele, história e pesquisa se entrelaçam com arte e tecnologia, como se o passado ganhasse nova voz através de ferramentas modernas. Utilizando imagens animadas por IA dos patronos da cidade (acima), João revela inclusive que, ao contrário do que muitos acreditavam, Restinga tem uma patrona e não um patrono. É nesse diálogo entre memória e inovação que esse trabalho se destaca: ao mesmo tempo em que João preserva raízes, abre caminhos para que novas gerações se reconheçam na história de sua terra, de maneira leve e envolvente. Confira aqui. (continua após a publicidade)
Sua página é um convite para passear e se perder entre memórias, imagens e histórias, revelando não apenas o passado da cidade, mas também o amor de um jovem que, com dedicação e talento, se tornou guardião da identidade restinguense.








