Mães no mercado de trabalho

Ao longo das últimas décadas a participação das mulheres no mercado de trabalho tem aumentado, contudo ainda é um cenário que abriga muitas desigualdades. Além da diferença salarial, um ponto que merece destaque é a dificuldade encontrada por muitas mulheres quando se tornam mães.
Segundo o estudo Estatísticas de Gênero, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março deste ano, apenas 54,6% das mães de 25 a 49 anos que têm crianças de até três anos em casa estão empregadas. A pesquisa revela que a maternidade é vista como empecilho que ocasiona a redução do desempenho.
Como existe legislação garantindo estabilidade nos cinco meses após o parto, os desligamentos ocorrem de forma gradativa. Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas revela que após 24 meses, quase metade das mulheres que tiram licença-maternidade não está mais presente no mercado de trabalho, padrão que se repete até mesmo 47 meses depois. No levantamento, foi constatado que, dentre 247 mil mães, 50% foram demitidas após, aproximadamente, dois anos da licença maternidade.
As demissões são flagrantes, massivas e as recolocações são muito difíceis. Estudo publicado pelo Senado, realizado pela Condurú Consultoria com objetivo identificar como é o comportamento das empresas em relação à contratação de mulheres que são mães, demonstrou que mais de 70% das mulheres com filhos têm dificuldades de colocação ou reinserção no mercado de trabalho.
Inciativas diversas precisam ser adotadas para que essa exclusão seja barrada. Além de medidas de caráter pedagógico, desmistificando a relação maternidade e baixo desempenho, políticas públicas precisam ser implementadas. O Estado precisa agir para promover o apoio necessário para a colocação ou mesmo a reinserção, aumentando e estruturando as creches em tempo integral e educação em tempo integral.
Trabalho é fator de dignidade humana e contribui diretamente para a melhoria da qualidade de vida do grupo familiar. A inclusão da mulher resulta no aumento da renda, que impacta imediatamente o consumo, produção, o investimento, causando resultado direto na economia. Diante disso, precisamos olhar com atenção para o tema, e agir para que toda a cadeia se movimente para o bem, vencendo barreiras, criando oportunidades e reduzindo desigualdades.
A atitude coletiva precisa vencer o estigma de que a mulher precisa trabalhar como se não fosse mãe e precisa ser mãe, como se não tivesse trabalho. A vda exige adaptabilidade e respeito, não podemos seguir em frente como se o problema não existisse porque ele é real, e quando não o encaramos como desfio e buscarmos solucioná-lo, somos coniventes e permissivos, transferindo a questão para a próxima geração.









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