Carlos Assumpção recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro
O professor, escritor e poeta Carlos de Assumpção receberá nesta terça-feira, dia 22, o título de “Doutor Honoris Causa” outorgado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). A Sesso Solene do Conselho Universitário durante a qual será conferida a honraria será às 14h, no auditório da Faculdade de Letras. Também receberá o título a poeta Eliane Potiguara. Em suas redes sociais, o Grupo Transcultura, da Faculdade de Letras da UFRJ, publicou: “É uma celebração histórica em que um poeta negro, no auge de seus 95 anos, e uma poeta indígena recebem louvor da academia, em reconhecimento às suas obras e legado agregado para a sociedade”.
A honraria é mais do que merecida para esse poeta que nasceu em Tietê, interior de São Paulo, e se mudou jovem ainda para Franca, onde se formou em Letras, pela então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, atual Unesp e em direito pela Faculdade de Direito de Franca (FDF).
A Unesp também outorgou a Carlos Assumpção, no ano passado, o título de Doutor Honoris Causa*, no ano passado, homenagem que se somou ao título de Personalidade Negra que recebeu no 70º aniversário da Abolição, conferido pela Associação Cultural do Negro, em São Paulo. Em 1982 recebeu também o título de Personalidade do Ano, em Franca. Foi ainda homenageado com a Placa de Prata da VII Semana Cornélio Pires, em Tietê, em 1996. (*O título de Doutor Honoris Causa é dado para uma pessoa mesmo que ela não tenha um curso universitário, mas no entanto tenha se destacado ou exercido grande influência em determinadas áreas, como nas artes, na literatura, na política ou promovendo a paz.)
Carlos Assumpção ´´e autor do poema “Protesto”, com o qual ganhou, em 1982, o primeiro lugar no Concurso de Poesia Falada. Tal poema marcou época e simbolizou a ascensão e as reivindicações da intelectualidade negra do Estado de São Paulo, tornando-se referência obrigatória para as novas gerações e foi, ainda, incluído em diversas antologias em inglês, francês e alemão.
Participou de algumas publicações de Cadernos Negros. Em sua auto apresentação, no número 7 dessas antologias, afirma acreditar que “um dia seremos realmente todos irmãos. Contudo, a concretização desse anseio, deste sonho de muitos dependerá da luta de todos os homens…” (1984, p. 18). Carlos de Assumpção lançou também um CD intitulado Quilombo de Palavras em 1998 numa parceria com o poeta Cuti, outro importante intelectual afro-brasileiro.
Memórias e declamações do poeta foram exibidas no filme documentário, “Carlos de Assumpção: Protesto”, lançado em 2019, de autoria e direção de Alberto Pucheu. É considerado um dos decanos da literatura afro-brasileira. É membro da Academia Francana de Letras.






